Vaticano passou de inimigo a interlocutor do regime castrista

Santa Sé ajudou a mediar acordos entre grupos de dissidentes e o governo cubano, que permitiram a libertação de presos

O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h38

Até 1991, o Partido Comunista de Cuba rejeitava a inscrição de crentes entre seus membros. Essa situação mudou com a aproximação entre o então líder cubano, Fidel Castro, e o papa João Paulo II. O Estado deixou de ser oficialmente ateu em julho de 1992, quando o regime promoveu uma reforma da Constituição que proíbe a discriminação por motivos religiosos.

Fidel e João Paulo II reuniram-se no Vaticano em 1996, o que resultou na decisão do governo comunista de permitir missas em praças públicas e procissões católicas em Cuba.

Até então, a Igreja Católica era vista pelo regime como um braço ativo do apoio da ditadura de Fulgencio Batista, deposto pelos guerrilheiros comandados por Fidel em 1.º de janeiro de 1959.

A população da ilha, no entanto, sempre se declarou - em sua maioria - católica, apesar da frequente manifestação de outras tendências religiosas, como a santería, um culto africano equivalente ao candomblé brasileiro.

Com o aval estatal ao catolicismo, o Natal - retirado do calendário desde os anos 60 - voltou a ser celebrado em Cuba em 1997.

João Paulo II empreendeu uma histórica visita a Cuba em 1998. Em cinco dias, percorreu Santa Clara, Camaguey, Santiago e Havana - oficiando missas assistidas por multidões. A Igreja ganhou então um papel de mediadora entre o governo e alguns setores da dissidência, alcançando acordos que permitiram a libertação de alguns presos políticos. Em 2005, quando João Paulo II morreu, Fidel decretou luto oficial de três dias na ilha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.