Vaticano pede permanência de sacerdotes do Terceiro Mundo

O Vaticano manifestou hoje sua oposição aos freqüentes casos de jovens sacerdotes do Terceiro Mundo que vão estudar em Roma e ficam durante anos morando na Itália ou outros países europeus, onde escasseiam as vocações religiosas, deixando de lado sua missão evangelizadora em seu próprios países. A Instrução publicada hoje pela Santa Sé, com aprovação papal, adverte que esta tendência que se reforça a cada dia priva as igrejas de seus países de origem da presença destes novos sacerdotes, em geral mais bem preparados para sua missão do que os sacerdotes mais velhos.Além disso, o documento destaca os casos de sacerdotes que têm "problemas de natureza pessoal" e são "enviados para estudar" numa vã "tentativa de encontrar solução" para esses problemas, quando, segundo o documento, "deveriam ser ajudados de modo mais oportuno e específico. Regulamentar o envio e a permanência no exterior dos sacerdotes de dioceses do Terceiro Mundo, que é o objetivo da instrução baixada hoje, é um assunto que preocupa há bastante tempo a Santa Sé."Apesar de dois terços da população terrestre ainda não conhecerem Jesus Cristo, nas cidades e paróquias do Ocidente se vê, em número cada vez maior, sacerdotes e religiosos africanos, asiáticos e latino-americanos, só em sua mínima parte dedicados à assistência de seus compatriotas emigrados", explica o documento. À escassez de vocações no mundo desenvolvido se contrapõe uma grande quantidade de vocações nas igrejas jovens."Assim - prossegue a instrução - muitos, sobretudo sacerdotes, chegam (à Europa) para fazer estudos superiores, mas se demoram por muito tempo ou, até mesmo, ao terminarem seus estudos, encontram facilmente um lugar para ficar, sem voltarem a seus países". O documento se refere ainda a "motivos não propriamente missionários", aludindo às "melhores condições de vida" na Europa e na América do Norte. O fenômeno "assumiu tal dimensão" que requer a intervenção do Vaticano, a fim de que "tal tipo de mobilidade não prejudique e, sim, ajude o crescimento das igrejas em territórios de missão". O informe aponta ainda que na África e na Ásia há dioceses que possuem um terço ou até a metade do clero diocesano no exterior.

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