Maurizio Brambatti/EFE
Maurizio Brambatti/EFE

Vaticano pede que políticos defendam imigrantes, e não os rotulem

Pedidos chegam em um momento de sentimentos crescentes contra os imigrantes nos Estados Unidos e na Europa

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 16h10

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco lançou uma campanha global da Igreja Católica nesta quarta-feira, 27, para amparar os imigrantes. Um de seus principais cardeais convidou políticos a “tocarem a mão de um imigrante” antes de tentarem rotulá-los.

A campanha de dois anos “Compartilhe a Jornada” chega em um momento de sentimento anti-imigrante crescente nos Estados Unidos e em muitos países europeus nos quais partidos de extrema-direita vêm ganhando terreno.

No domingo, o partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) ficou em terceiro lugar em uma eleição nacional, explorando a insatisfação pública com a chegada de mais de um milhão de imigrantes ao país nos últimos dois anos.

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O papa, que fez da defesa dos imigrantes um dos pilares de seu pontificado, deu início à campanha com comentários dirigidos a dezenas de milhares de pessoas presentes na Praça São Pedro para sua audiência semanal, exortando os católicos de todo o mundo a serem “abertos, inclusivos e acolhedores”.

O partido italiano anti-imigrante Liga Norte prometeu conter a imigração vinda de países em desenvolvimento se chegar ao poder em um governo de coalizão nas eleições do ano que vem.

Em uma coletiva de imprensa no Vaticano, o cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, clamou por uma “cultura de encontro pessoal” na qual a amizade suplante o medo. “Eu incentivaria os líderes a conhecerem um imigrante, tocarem a mão de um imigrante, cheirarem um imigrante, ouvirem suas histórias, e verão que eles são como vocês e eu”, disse.

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“Eles não são ‘o outro’. Poderiam ser eu. Poderiam ser meu irmão, minha irmã, meus pais”, disse Tagle, cujo avô trocou a China pelas Filipinas na infância para fugir da pobreza.

A nova campanha de “ação e conscientização” está sendo comandada pela Caritas Internationalis, grupo que congrega instituições da caridade católicas. “Olhem para eles nos olhos, ouçam por que deixaram seus lares, como foi sua jornada, vejam as pessoas reais por trás dos números e das histórias assustadoras”, disse Tagle. / Reuters

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