Vaticano pede união de religiões contra terrorismo

O Vaticano pediu, nesta sexta-feira, em sua mensagem anual para que muçulmanos e católicos se unam para enfrentar os desafios do mundo, entre eles o do terrorismo. O anúncio veio devido ao final do mês do Ramadã, período sagrado islâmico. No documento, o Vaticano afirmou que este mês foi para os muçulmanos "um tempo de oração e reflexão sobre a difícil situação que atravessa nosso mundo", perturbado pela "injustiça, a pobreza, as tensões e conflitos internos dos países, mas também por causa da violência e do terrorismo, que constituem uma praga particularmente dolorosa".Perante isto, a Santa Sé se perguntou se "como cristãos e muçulmanos, não estamos chamados em primeiro lugar a oferecer nossa contribuição específica à solução desta grave situação e destes problemas tão complexos?".A Santa Sé advertiu na mensagem que se católicos e muçulmanos não se comportam como crentes, "estará em jogo, provavelmente, a credibilidade das religiões, mas também a dos líderes religiosos e a de todos os crentes".DiálogoA mensagem indicou também que ambas as religiões ponham o amor "a serviço da vida cotidiana, mas também que devem buscar soluções justas e pacíficas aos graves problemas que afligem ao mundo".A ocasião volta a servir à Santa Sé para realizar uma chamada ao diálogo após as polêmicas suscitadas no mundo árabe pelo discurso de Bento XVI em Regensburg (Alemanha), no qual falava do Islã e do profeta Maomé."As circunstâncias particulares que acabamos de enfrentar juntos, mostram também que, se às vezes o caminho de um diálogo autêntico pode ser árduo, é por outro lado cada vez mais necessário", assinalou a mensagem.A mensagem, publicada em inglês, francês, italiano e árabe está dirigida a todos os muçulmanos e este ano leva o título de "Cristãos e muçulmanos em diálogo confiante para enfrentar juntos os desafios do mundo". A carta foi elaborada pelo Conselho Pontifício para o Diálogo inter-religioso.OportunidadeO presidente do Conselho, o cardeal francês Paul Poupard, explicou que desta vez se considerou "oportuno" apresentar publicamente em entrevista coletiva a mensagem ao final do Ramadã.O subsecretário deste Conselho, Pierluigi Celata, manifestou que "a incompreensão" originada do discurso de Regensburg "já foi esclarecida e agora é necessário seguir adiante com o diálogo".Celata explicou que a mensagem além de expressar bons desejos, apresenta além disso "temas de interesse comum, freqüentemente sugeridos pela atualidade para promover uma reflexão dirigida a favorecer uma compreensão mais eficaz de alguns valores humanos fundamentais e uma contribuição das duas religiões a soluções de diversas situações difíceis".O responsável do Vaticano para a relação com o Islã, Khaled Akashed, anunciou que o diálogo entre religiosos acontecerá em 24 de fevereiro em reunião na Universidade de estudos islâmicos Al Azhar, e na qual se lembrará a peregrinação à Terra Santa do Papa João Paulo II em 2000".

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