Vaticano prepara ofensiva na conferência sobre racismo

O Vaticano planeja aproveitar a conferência das Nações Unidas sobre racismo, que começa na sexta-feira, para defender seu ponto de vista de que as experiências com embriões humanos poderiam gerar uma nova forma de escravidão. A Santa Sé, que divulgou nesta quarta-feira uma espécie de documento para indicar sua posição perante a conferência de oito dias, abordou também o assunto das compensações para as pessoas cujos ancestrais foram escravos. O Vaticano considerou que essa questão não é de solução simples. Alguns delegados do Vaticano estarão presentes ao foro internacional que acontecerá em Durban, na África do Sul. O documento expressou preocupação pelo que a Santa Sé considerou como "novas e dramáticas formas de discriminação", incluindo nelas até "as crianças não nascidas, como sujeitos de experimentação e intervenção tecnológica". Citou como exemplos dessa nova discriminação a procriação artificial, o uso de embriões "supérfluos" e a "chamada clonagem terapêutica". "Há aqui um risco de que surja uma nova forma de racismo, pois o desenvolvimento destas técnicas poderia levar à criação de uma ´subcategoria de seres humanos´, basicamente para a conveniência de certos outros", alertou o Vaticano. "Isto poderia ser uma nova e terrível forma de escravidão". "Lamentavelmente, não se pode negar que a tentação da eugenia ainda está latente, especialmente se os poderosos interesses econômicos a explorarem", acrescenta o documento, que pede aos governos e cientistas que permaneçam vigilantes contra a tentativa de criar um "melhor" ser humano através da manipulação genética.

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