Vaticano publicará documento sobre uso de preservativo

O Vaticano publicará "um documento sobre o uso de preservativo por pessoas que sofrem de doenças graves, como a aids", segundo o cardeal mexicano Javier Lozano Barragán, em entrevista ao jornal italiano La Repubblica. Barragán, que é ministro da Saúde do Vaticano, não especificou se o texto permitirá o uso do preservativo ou vai mantê-lo prescrito, como é atualmente. O cardeal fez o anúncio dois dias após o cardeal emérito de Milão, Carlo Maria Martini, ter afirmado, também em uma entrevista à imprensa italiana, que na luta contra a aids o uso do preservativo pode ser, "em algumas ocasiões, o menor mal". Martini se referia aos casamentos nos quais um dos cônjuges é portador do vírus da AIDS. Sobre os comentários do cardeal de Milão, Barragán disse que "é um assunto muito difícil e delicado sobre o qual é preciso muita prudência". A autoridade eclesiástica preferiu não se pronunciar sobre o tema "para não antecipar o estudo da comissão". Barragán afirmou que o "ministério está estudando o assunto atentamente com cientistas e teólogos expressamente encarregados de redigir um documento que em breve será divulgado". Encomenda papal Segundo o cardeal, foi Bento XVI quem solicitou o estudo sobre o uso do preservativo por portadores do HIV e por pessoas que sofrem de outras doenças contagiosas. O jornal também perguntou ao cardeal sobre a adoção de embriões congelados, inclusive por solteiros, questão que o ministro da Saúde do Vaticano repetiu ser "um tema delicado". "Para a Igreja, o embrião é o início da vida e, portanto, é uma pessoa e não pode ser manipulada", afirmou. No caso dos embriões congelados, disse que "são sempre portadores de vida", por isso compreende os que dizem que é melhor destiná-los à adoção, assim como se faz com as demais crianças. Segundo sua opinião, nos casos de adoção é preciso analisar caso a caso e que o melhor é que as crianças tenham um pai e uma mãe. Em alguns casos específicos, a adoção de crianças por pessoas solteiras pode ser admitida, mas "com muita prudência, descartando os homossexuais". Sobre a eutanásia, disse que a doutrina da Igreja condena "claramente".

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