Vaticano quer coibir "abusos" nas missas

O Vaticano quer coibir os "abusos" nas missas. Para isso, aprovou, nesta sexta-feira, um documento no qual, entre outros pontos, proíbe música popular, assuntos profanos como política, e o uso, na cerimônia, de pão e vinho que não sejam consagrados pelo padre. A Igreja Católica também advertiu que "não pode tolerar" sacerdotes que componham preces. Em março, o papa João Paulo II chegou a afirmar que domingo não era dia para esportes e lazer, mas sim para a missa.O documento, intitulado Redemptionis Sacramentum, foi redigido pela Congregação para o Culto Divino. Em suas 70 páginas e oito capítulos, aponta os "abusos" que têm sido praticados durante a missa. "Eles são muitos e a Igreja não pode calar", ponderou o cardeal Francis Arinze, presidente da Congregação.No que se refere à música durante a missa, o documento afirma que ela tem de ser "sacra e idônea". Má notícia para os chamados "padres-compositores". O documento do Vaticano avisa que "não pode tolerar" que alguns sacerdotes se arroguem o direito de compor preces eucarísticas que mudam o texto aprovado pela Igreja.A Congregação também considera que a missa tem de ser celebrada em um templo ou lugar digno. Mais: "Nunca é lícito a um sacerdote celebrar a Eucaristia em um templo ou lugar sagrado de qualquer religião não cristã."A Santa Sé adverte ainda sobre a necessidadede evitar que a Homilia perca seu objetivo de levar aos fiéis a palavra de Deus e trate, por exemplo, de política ou assuntos profanos.Após assinalar que compete à Igreja ordenar a liturgia, o Vaticano afirma que o pão utilizado na missa tem de ser ázimo (só de trigo) e feito "recentemente" para que não se corrompa. Nem mesmo o vinho escapa ao crivo da Igreja: ele tem de ser natural, da videira, puro, sem a presença de substâncias estranhas. Até mesmo os copos utilizados na celebração têm de ser sagrados. O Vaticano reprova inclusive os copos de "má qualidade" - feitos de barro ou de vidro e que se quebram com facilidade.Em outro trecho, o Redemptionis Sacramentum se detém no uso da hóstia. Ela pode ser recebida de joelhos ou de pé. O fiel pode recebê-la na boca ou na mão. Mas não é permitido ele recebê-la, nem ao cálice, nem por conta própria. Molhar a hóstia por conta própria: proibido. O padre deve cuidar para que imediatamente o fiel a coloque na boca. Motivo: evitar que a hóstia possa ser utilizada para "ritos sacrílegos". Neste ponto, a Igreja classifica como "abusos graves" a "subtração" ou "retenção", com fins "sacrílegos" das hóstias consagradas. Castigo para os infratores: a excomunhão.

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