Vaticano quer debate aberto sobre transgênicos

O Vaticano está buscando informações sobre alimentos geneticamente modificados a fim de determinar se o uso de transgênicos pode ajudar a aplacar a fome no mundo. A informação foi dada pelo cardeal Renato Martino ao jornal La Stampa, de Turim. O cardeal revelou que o papa João Paulo II está pessoalmente interessado em aprender sobre a biotecnologia alimentar e que o pontífice defende uma discussão aberta sobre os riscos e a potencialidades de alimentos transgênicos. "O papa quer fazer algo pelos milhões de pessoas que vão para a cama todas as noites sem jantar", disse o cardeal Martino, que encabeça o Conselho Papal de Justiça e Paz. As informações que o Vaticano procura obter são, segundo o La Stampa, relativas aos efeitos que os transgênicos podem ter na saúde e no meio ambiente, assim como o impacto que os alimentos modificados poderiam ter sobre segurança alimentar global. O ex-ministro italiano da agricultura, Alfonso Pecoraro Scanio, membro do partido verde, disse que o Vaticano pode estar sob pressão da indústria de alimentos geneticamente modificados. "Seria muito grave se a Igreja Católica usasse sua autoridade moral para fazer especulações de dimensões globais", disse ele. "Os religiosos que trabalham em países pobres sabem muito bem que os alimentos transgênicos não servem para combater a fome". A União Européia proibiu temporariamente, em 1998, a venda de alimentos geneticamente modificados em seu território, em resposta ao medo que estes produtos causaram na população. A proibição tinha a intenção de dar à UE mais tempo para estudar o problema e pôr em prática um sistema de rastreamento e rotulagem de produtos, que foi aprovado pelos governos da União Européia no mês passado.

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