AFP PHOTO/ VATICAN MEDIA
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Vaticano reabre Basílica de São Pedro para fiéis e visitantes

Itália e sede da Igreja Católica retomam gradualmente normalidade após pico da pandemia do novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 09h58

VATICANO - A Basílica de São Pedro, principal monumento religioso do Vaticano, reabriu suas portas ao público na manhã desta segunda-feira, 18. O ato simbólico é visto como um marco do retorno a uma relativa normalidade na Itália, onde o fim das regras de isolamento social avançam, com a retomada das missas e a reabertura - ainda tímida - de lojas e cafés.

Na presença de vários policiais usando luvas e máscaras cirúrgicas, um punhado de visitantes, seguindo as marcações no chão para respeitar uma distância mínima de 1,5 m, entrou na Basílica, fechada desde 10 de março. O grupo teve que medir a temperatura e desinfetar as mãos com álcool em gel antes de entrar na igreja.

Sob a enorme cúpula com mármore esculpido e policromado, os fiéis podiam ser contados com os dedos de uma mão, alguns recolhidos em oração, de joelhos, diante do túmulo do falecido papa João Paulo II, que completaria 100 anos nesta segunda-feira.

"Máscara no nariz!", ordena um membro da gendarmeria do Vaticano aos fiéis, tentados a abaixar um pouco a máscara obrigatória para respirar melhor. Primeiro país a confinar há mais de dois meses toda a sua população para conter a pandemia de coronavírus, a Itália ainda lamenta a morte de aproximadamente 32 mil pessoas. 

No entanto, o país experimenta desde 4 de maio um pouco de liberdade, graças ao primeiro levantamento parcial das restrições. No domingo, 17, os romanos pareciam se reapropriar da cidade eterna, sem nenhum turista estrangeiro e com poucos carros, mas atravessada por um número crescente de corredores, caminhantes e ciclistas.

Na manhã desta segunda, 18, o tráfego era quase normal aos pés do Coliseu ou nas principais avenidas do centro da cidade. Vários pequenos e grandes comércios, salões de beleza, bares e restaurantes, também devem reabrir.

"A Itália acende as luzes após 69 dias de fechamento", resumiu o jornal La Repubblica. "Sinal de esperança" para o papa Francisco, as missas e as celebrações religiosas foram retomadas nas igrejas de Roma e no resto do país, com medidas adequadas de distanciamento social.

Alguns devotos assistiram a uma celebração matinal na igreja de Santa Maria em Transpontina, perto do Vaticano, com separação obrigatória nos bancos e comunhão "sem contato". Nenhuma celebração pública está prevista oficialmente na Basílica de São Pedro.

No entanto, está marcada uma missa para o meio-dia na majestosa catedral gótica de Milão. A igreja é um símbolo da capital da Lombardia, região mais duramente atingida pela covid-19.

Reabertura por necessidade

"Não podemos nos dar ao luxo de esperar pela descoberta de uma vacina para reabrir o país", justificou no sábado, 16, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. "Nossos princípios permanecem os mesmos: proteger a vida, a saúde dos cidadãos. Mas devemos fazê-lo de maneira diferente", argumentou ele, enquanto a epidemia parece estar sob controle.

O número diário de mortes caiu neste fim de semana. Com 145 óbitos registrados no domingo, o país atingiu o nível mais baixo desde o início do confinamento. Em Roma, pizzarias, confeitarias e outros comércios se prepararam para a reabertura nos últimos dias. Nesta segunda, algumas fachadas estavam abertas, mesas reapareceram nos terraços, mas a retomada parece limitada.

"Ainda é um pouco cedo, vai ficar agitado esta tarde", quer acreditar Elena, que veio tomar  seu café da manhã perto da praça Campo dei Fiori.

A atual etapa do desconfinamento estabeleceu uma ampla liberdade para que cada uma das 20 regiões da Itália pudessem adotar medidas. A margem para manobra, contudo, acabou alimentando certa confusão. À medida que o levantamento das restrições avança, a imprensa italiana se debruça sobre os regramentos planejados, decifrando o que é autorizado e "o que permanece proibido".

Família, amigos, colegas, agora os italianos poderão ver quem quiserem, em casa ou fora. No entanto, grandes reuniões seguem proibidas, como festas particulares. A máscara é obrigatória em espaços fechados com público.

A próxima etapa está prevista para 25 de maio, com a reabertura de academias, piscinas e centros esportivos. Em 3 de junho, o país reabrirá suas fronteiras aos visitantes do espaço Schengen e, portanto, aos turistas europeus, a fim de relançar o setor do turismo o mais rápido possível./ AFP

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