Vaticano recomenda evitar casamento com muçulmanos

O Vaticano recomenda, em documento sobre a pastoral em relação aos migrantes, que os bispos evitem celebrar casamentos entre católicos e muçulmanos, por causa da diferença de fé e também "pelos resultados de amargas experiências" dessas uniões. A Igreja pede particular atenção no caso de matrimônio de uma mulher católica com um fiel muçulmano. A advertência consta da instrução ?Erga migrantes caritas Christi? (A caridade de Cristo para com os migrantes), divulgada pelo cardeal japonês Stephen Fumio Hamao, presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes. Embora trate da atitude que a Igreja deve ter, em geral, com relação a crentes de todas as religiões, o documento dá ênfase aos muçulmanos, pelo fato de essa comunidade ser cada vez mais numerosa em vários países de tradição cristã. "No caso de transcrição do matrimônio num consulado de país de proveniência islâmica, a parte católica deverá estar atenta para não pronunciar ou assinar documentos que contêm a shahada (profissão de crença muçulmana)", adverte a instrução do Vaticano. O xeque Ali Abdouni, representante da Assembléia Mundial da Juventude Muçulmana (Wany, na sigla em inglês) na América Latina, lamentou o conteúdo do documento e contestou algumas das informações expostas. "Em primeiro lugar, uma mulher não-muçulmana que se casa com um muçulmano não precisa pronunciar a shahada", disse. "Além disso, a religião islâmica impõe ao homem que se casa com uma não-muçulmana que respeite a religião e o culto dela", diz Abdouni. Para ele, ou o Vaticano se baseou em casos isolados de muçulmanos que desrespeitam essas leis, ou desconhece as regras sobre os casamentos.

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