Vaticano reconhece casos de abusos sexuais

O Vaticano admitiu ontem a existência de "casos de abusos sexuais praticados por sacerdotes e missionários contra religiosas". Segundo um relatório citado no jornal La Repubblica, padres temerosos de contrair aids às vezes procuram jovens freiras - que são vistas como parceiras sexuais "seguras" - e as forçam a fazer sexo com eles. De acordo com a publicação, ?em alguns casos extremos, eles cometeram estupro e encorajaram as vítimas a realizar abortos". Algumas freiras foram forçadas a tomar a pílula, de acordo com a publicação.Entretanto, segundo um comunicado assinado pelo porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, os casos são "restritos a áreas geográficas limitadas", mas o relatório menciona casos em 23 países, incluindo o Brasil, Estados Unidos, Itália, Irlanda, Índia e Filipinas. A questão foi levantada pela revista norte-americana National Catholic Report, que afirma que o abuso sexual de freiras por parte de padres, é um sério problema. Embora o Vaticano não tenha designado a área geográfica pelo nome, o relatório afirma que a maioria dos incidentes de abuso sexual mencionados ocorreu na África, onde as freiras foram identificadas como "ilesas", após a disseminação da aids no continente. Segundo Navarro-Valls, o Vaticano - que não respondeu diretamente ao artigo da publicação, mas à repercussão da mídia italiana - está trabalhando com líderes de ordens religiosas para tratar do assunto. Em um caso narrado pela irmã Maura O´Donohue, psicóloga e membro da Missão Médica Mariana, um religioso engravidou uma freira e a obrigou a fazer um aborto. A religiosa morreu durante a operação e o mesmo padre realizou sua missa fúnebre. DenúnciasAcusações feitas no relatório, que traz assinaturas com nomes e sobrenomes, foram levadas ao conhecimento das autoridades eclesiásticas, em várias ocasiões durante a década de 90, afirma o artigo do La Repubblica, assinado por Marco Politi, um respeitado correspondente no Vaticano. Os documentos citados pela National Catholic Report também indicam que as freiras que engravidam são obrigadas a abandonar suas ordens, enquanto os padres envolvidos continuam em seus ministérios. A revista afirmou que não há estatísticas precisas sobre os abusos sexuais contra religiosas, mas que "a freqüência e a consistência das acusações apontam para a necessidade de se encaminhar o problema". Em um dos exemplos citados de abuso sexual, 20 freiras de uma mesma comunidade ficaram grávidas ao mesmo tempo. Em outro exemplo, uma madre superiora foi continuamente ignorada pelo bispo local quando reclamou que os padres da diocese haviam engravidado 29 das freiras do seu convento. O bispo afastou a religiosa do cargo.

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