Vaticano reconhece 'gravidade' dos crimes do fundador da Legião de Cristo

Papa irá designar um delegado e uma comissão para revisar os ordenamentos internos da ordem religiosa

ANSA,

01 Maio 2010 | 12h15

O Vaticano reconhece 'gravidade' dos crimes cometidos pelo fundador da Legião de Cristo, o padre Marcial Maciel, que teve ao menos um filho e abusou de jovens seminaristas. Para isso, Bento XVI irá designar um delegado, que irá acompanhar a fundação, e instituir uma comissão de estudo, que revisará os ordenamentos internos e as constituições da Legião, que determinavam que os membros dessa congregação mantivessem silêncio absoluto sobre os acontecimentos internos.

 

Diálogo com as vítimas

 

No comunicado, a Santa Sé também pede "um caminho de purificação" aos membros da ordem, que "demandará também um diálogo sincero com os que, dentro e fora da Legião, foram vítimas dos abusos sexuais e do sistema de poder de seu fundador".

 

Aos que foram abusados, o Papa leva seu "pensamento e pregação, junto a sua gratidão às pessoas que, por meio de grandes dificuldades, tiveram coragem para exigir a verdade".

 

Além de ser acusado de ter molestado seminaristas, Maciel utilizava identidades falsas para manter relações com diversas mulheres, com as quais teve três filhos, que também relataram ter sofrido abusos sexuais do próprio pai.

 

No mês de março, a congregação - que foi fundada em 1941 e reconhecida pelo Vaticano em 1983 - chegou a pedir desculpas oficiais pelos abusos cometidos por seu criador. Em nota, os dirigentes diziam que acreditavam que as acusações "eram falsas e infundadas", mas depois perceberam que os casos realmente aconteceram.

 

Para a realização da minuciosa investigação foram designados o arcebispo de Concepción (Chile), Ricardo Ezzati Andrello; o arcebispo de Denver (Estados Unidos), Charles Joseph Chaput; o bispo de Alexandria (Itália), Giuseppe Versaldi; o bispo de Bilbao (Espanha), Ricardo Blazquez Perez; e o bispo de Tepic (México), Ricardo Watty Urquidi.

 

A Legião de Cristo foi fundada no México em 1941 e sua base se construiu em torno de Macial. A fotografia do padre adornava cada edifício dos legionários, sua biografia e escritos eram estudados por seus integrantes e até seu aniversário era um dia festivo para eles.

 

Até pouco tempo, os integrantes da legião tinham o voto de não fazerem críticas a seus superiores, inclusive a Maciel.

 

A ordem religiosa diz contar com mais de 800 sacerdotes e 2.500 seminaristas em 22 países, junto com 70.000 integrantes de seu ramo secular, a Regnum Christi.

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