Vaticano: renúncia de Bento XVI surpreendeu o mundo

A renúncia de Joseph Ratzinger ao trono do apóstolo Pedro nesta segunda-feira é histórica. Ele se torna o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos. A partir de 28 de fevereiro, quando deixará o cargo, Bento XVI se unirá ao pequeno grupo de papas que abdicaram.

FILIPE DOMINGUES, ESPECIAL PARA AE, Agência Estado

11 de fevereiro de 2013 | 20h51

Segundo a tradição cristã e relatos históricos Clemente I (97), Ponciano (235), Silvério (537), João XVIII (1009), Bento IX (1045), Celestino V (1294) e Gregório XII (1415) fazem parte do grupo de bispos de Roma que deixaram o papado, pequeno se for considerado o total de 265 papas ao longo da história.

"O Papa nos pegou de surpresa", disse há pouco o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, ao confirmar a saída de Bento XVI. Embora essa possibilidade fosse especulada em razão da idade avançada e o evidente cansaço do pontífice, ao mesmo tempo sempre costumava ser vista com certo ceticismo pelos observadores do Vaticano.

Também nos últimos anos de pontificado de João Paulo II havia muitos rumores de que o papa pudesse renunciar, o que não aconteceu. De qualquer forma, há mais de dois anos, Bento XVI afirmou ao jornalista e escritor alemão Peter Seewald não hesitaria em renunciar ao cargo se não se sentisse em condições "físicas, psicológicas e espirituais" para conduzir seu rebanho adequadamente.

O anúncio de Bento XVI ocorreu durante um consistório para a canonização de três mártires, tipo de reunião do Papa com os cardeais que ocorre regularmente. A partir das 20 horas do dia 28 de fevereiro inicia o período chamado de "sede vacante", durante o qual a Igreja Católica é governada pelo colégio de cardeais, especialmente na figura do camerlengo, atualmente o cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

Entretanto, nenhuma grande decisão pode ser tomada. Neste ano, o conclave (eleição do novo Papa) deve ser convocado rapidamente, considerando que não há a necessidade de organização de um funeral para o antigo Papa. Atualmente são 119 os cardeais eleitores, ou seja, com menos de 80 anos. Todos podem ser eleitos. Ainda não está claro se Bento XVI continuará vivendo em Roma e que atividades realizará nos próximos anos.

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