Vaticano tomará medidas legais contra imagem que exibe 'beijo' de Bento XVI

Fotomontagens de campanha pela paz da Benetton mostram líderes internacionais se beijando

Reuters

17 de novembro de 2011 | 15h35

 

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano informou nesta quinta-feira, 17, que tomará medidas legais para impedir a distribuição de uma fotomontagem em uma propaganda da marca italiana Benetton que mostra o papa Bento XVI beijando Ahmed Mohamed el-Tayeb, imã da mesquita de Al-Azhar, no Cairo, na boca.

 

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A declaração afirma que o Vaticano orientou seus advogados na Itália e em todo o mundo a "tomar as medidas legais adequadas" para impedir o uso da foto, mesmo na mídia. Não ficou claro se o Vaticano pretende processar a Benetton diretamente pelos danos causados. A declaração da Igreja apontou que o anúncio era "prejudicial não só à dignidade do papa e da Igreja Católica, mas também aos sentimentos dos fiéis".

 

A Benetton explicou na noite de quarta-feira que estava retirando a propaganda, que fazia parte da mais recente campanha de choque da empresa, na qual alguns líderes mundiais são vistos se beijando na boca em montagens de fotos. A retirada ocorreu depois que o Vaticano emitiu um protesto inicial que considerava o uso não autorizado e "manipulado" da imagem do papa em montagem como "totalmente inaceitável".

 

"É uma grave falta de respeito ao papa, uma ofensa contra os sentimentos da fé e um claro exemplo de como a publicidade pode violar as regras elementares de respeito às pessoas com o objetivo de chamar a atenção por meio da provocação", afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

 

Uma grande faixa com a imagem do papa e do imã foi pendurada em uma ponte perto do Vaticano na manhã da quarta-feira, mas foi posteriormente removida. Mas no início desta quinta-feira a foto ainda estava na vitrine de uma loja na praça Fontana de Trevi, um dos locais turísticos mais populares de Roma.

 

Na sua declaração anunciando a retirada do anúncio, a Benetton disse que o objetivo da campanha era "exclusivamente combater a cultura de ódio em todas as formas", mas afirmou que mesmo assim decidiu remover a imagem. "Lamentamos que o uso de uma imagem do pontífice e do imã tenha ofendido a sensibilidade dos fiéis dessa maneira", afirmou a empresa.

 

Em outras fotos, exibidas em cidades de todo o mundo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aparece beijando o presidente da China, Hu Jintao. Em outra imagem, o americano está com o venezuelano Hugo Chávez, um de seus críticos mais ferrenhos.

 

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina (AP), líderes que estão à frente de uma das questões mais latentes da política internacional, também protagonizam um beijo em outra imagem. 

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