Vaticano vai mandar cardeal ao Oriente Médio

O Vaticano confirmouhoje que o cardeal Roger Etchegaray partirá amanhã, 1º demaio, para o Oriente Médio como enviado do papa para cumprir uma"missão especial" - ao que tudo indica, em busca de uma saídapara a crítica situação na Basílica da Natividade, em Belém. Não se conhece nenhum detalhe da "missão especial" daqual João Paulo II encarregou o cardeal, nem sua agenda deconversações ou a data de seu retorno ao Vaticano. O porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro Valls, afirmouque o pontífice, "em razão da urgência de paz na Terra Santa,para as comunidades cristãs e para os povos israelense epalestino, decidiu enviar a Jerusalém o cardeal Etchegaray,presidente emérito do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz edo Pontifício Conselho Cor Unum". Em Jerusalém, o cardeal será hóspede do representantepontifício, monsenhor Pietro Sambi. A missão foi decidida com rapidez, explicaram seuscolaboradores, que se recusaram a dar maiores informações arespeito. Segundo a agência do Vaticano para as Missões, a Fides,Etchegaray - que na Terra Santa será recebido por Sambi e pelopatriarca latino, Michel Sabbah - manterá reuniões "do maisalto nível com as autoridades israelenses e palestinas" e nopróximo domingo celebrará uma missa no patriarcado latino deJerusalém. Ainda segundo a Fides, cresce em Jerusalém a expectativapela chegada do enviado do papa. "Nós o esperamos como enorme esperança. Que sua visitanão seja apenas uma visita de solidariedade, mas que possadeterminar uma solução para o dramático cerco à (basílica da)Natividade", declarou à agência do Vaticano o chanceler dopatriarcado latino em Jerusalém, padre Raed Abushalia. As pessoas esperam com ansiedade sua chegada e pedem queo "mensageiro de Karol Wojtyla ponha em jogo toda a autoridademoral e a credibilidade internacional da Igreja para o retornoda paz", acrescentou. Segundo Abushalia, a missão de Etchegaray é "a últimachance para resolver uma situação de opressão que já se tornouinsuportável para todos: é desumana - destaca o religioso - nãosó para as pessoas refugiadas na basílica, mas também para asmais de 100 mil pessoas em Belém". Os colaboradores de Etchegaray insinuaram também queexiste uma "possiblidade em estudo" de Belém ser uma etapa daviagem, mas não deram indicações precisas sobre ela, apenasesperanças sintetizadas nas palavras do padre Abuhsalia:"esperamos com todo o coração que a missa de domingo possa sercelebrada em Belém, na Basílica da Natividade restituída aoscristãos".

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