Vazamento expõe jogo duplo do Paquistão

Segundo documentos, inteligência ajudou o Taleban a preparar ações e governo permitiu [br]trânsito de rebeldes

, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Entre os principais documentos revelados estão alguns que confirmam que a agência de inteligência paquistanesa ajudou o Taleban a organizar ataques contra as tropas americanas e a planejar o assassinato de líderes afegãos.

O jogo duplo paquistanês é comprovado com um suposto encontro, em dezembro de 2006, entre insurgentes do Taleban e o ex-chefe dos serviços de inteligência do Paquistão Hamid Gul. Islamabad recebe US$ 1 bilhão por ano do governo dos EUA para combater a insurgência em seu território.

O material ainda expôs a iniciativa americana de formar uma espécie de esquadrão da morte - um comando secreto com a missão de liquidar 70 comandantes das forças rebeldes - e as tentativas de maquiar o número de civis mortos. Segundo o jornal The Guardian, pelo menos 195 civis morreram em ações como essas.

Os documentos mostraram também que CIA, a agência de inteligência americana, expandiu suas operações paramilitares. Os grupos eram responsáveis por emboscadas, incursões noturnas e até mesmo bombardeios. Em alguns casos, o Exército americano creditava a missão aos soldados afegãos.

"A morte de inocentes e o apoio do Paquistão ao Taleban não são fatos. A diferença é que, agora, há provas reais, oficiais e irrefutáveis", afirmou Jorrit Kamminga, diretor de Pesquisa Política do Conselho Internacional sobre Segurança e Desenvolvimento. "A partir de agora, haverá mais pressão sobre o Paquistão", completou.

O comandante do Estado Maior das forças americanas, almirante Mike Mullen, insistiu que a estratégia dos EUA para "desmantelar e derrotar a Al-Qaeda e seus aliados extremistas no Afeganistão" prosseguirá sem mudanças.

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