Bela Szandelszky/AP
Bela Szandelszky/AP

Vazamento põe em risco a economia da região

UE estuda aplicação de bilhões de euros para desenvolver região do Danúbio, uma das artérias vitais do Leste Europeu

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

GENEBRA

O desastre ecológico na Hungria coincide com o momento em que a União Europeia negocia com países do Leste Europeu um projeto bilionário para desenvolver a região do Danúbio. Com 80 milhões de pessoas vivendo em suas margens, o rio é uma das principais artérias do bloco e fundamental para o transporte de produtos.

Se na parte ocidental ele ainda é um rio relativamente limpo, sua situação é cada vez mais sombria à medida que suas águas entram no Leste Europeu. Os mais de 50 anos de regimes comunistas na região também contribuíram para um número significativo de desastres naturais por fábricas sucateadas, que não encontravam peças para a manutenção para suas instalações. Muitas das catástrofes apenas foram conhecidas nos anos 90.

Ontem, a organização WWF publicou uma lista de outros locais à beira do Rio Danúbio que poderiam também causar desastres ecológicos. A produção industrial e a mineração em regiões da Sérvia, Bulgária e Romênia estão entre as mais ameaçadoras para a região.

A meta da UE é investir em infraestrutura para aumentar o turismo, garantir empregos e aumentar a segurança da produção e da extração mineral. A "Estratégia Danúbio", como vem sendo chamada, prevê o uso de bilhões de euros na região, entre 2014 e 2020, com o envolvimento de 14 países, incluindo os doadores e os receptores de ajuda.

A UE já destina 11 bilhões por ano a países da região. Agora, o novo projeto prevê a redução da poluição das águas do rio, aumentar a capacidade do Danúbio de receber barcos e a utilização dele como um instrumento para as exportações dos países dos Bálcãs.

Na segunda-feira, o dique do reservatório de uma siderúrgica, no oeste da Hungria, invadiu vilarejos, matou 4 pessoas e deixou mais de 150 feridos. Até ontem, três pessoas continuavam desaparecidas e centenas de casas foram destruídas. O governo húngaro decretou estado de emergência na região, a 150 quilômetros de Budapeste.

Ontem, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, fez sua primeira visita à região e declarou que não removerá o lixo e a lama da cidade. "Ninguém mais viverá aqui", disse, referindo-se ao fato de que a contaminação levará décadas para ser dissipada e cidades inteiras devem ser abandonadas. "Se esse desastre tivesse ocorrido à noite, a população de cidades inteiras teria morrido", afirmou o premiês.

Investigações. Irritado, Orban declarou que a empresa que administrava o reservatório foi a responsável pelo desastre. Na Hungria, o governo já abriu investigações para determinar responsabilidades, enquanto a revolta da população cresce.

"Esse é um desastre sem precedentes na Hungria. Uma erro humano é o mais provável motivo", disse o primeiro-ministro. "A parede que segurava o reservatório não desintegrou em um minuto. Isso tinha de ser detectado", afirmou.

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