Carlos Lebrato/Efe
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Vázquez diz que vai aproveitar segunda oportunidade na presidência do Uruguai

Tabaré Vázquez já comandou o país entre 2005 e 2010 e reassume o cargo enfrentando uma inflação que chegou a 8,26% em 2014

Rafael Moraes Moura, enviado especial, O Estado de S. Paulo

01 Março 2015 | 15h52

Em discurso proferido durante a sessão solene de compromisso de honra e declaração de fidelidade constitucional, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, prometeu neste domingo (1º) aproveitar a segunda oportunidade no comando do país. Presidente do Uruguai de 2005 a 2010, Vázquez reassume o cargo enfrentando uma inflação que chegou a 8,26% em 2014, um déficit fiscal que ficou na casa de 3,5% do PIB e uma série de desafios na área de educação, como o gargalo no ensino médio.

Em outra ocasião, durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV exibido na noite deste domingo, Vázquez defendeu o combate ao narcotráfico e à corrupção, uma gestão de governo descentralizada e a melhora da área de ensino.

"Dialogaremos com todas as forças políticas e sociais quantas vezes for necessário", disse. No pronunciamento, anunciou a criação de uma secretaria nacional de meio ambiente, mudança climática e água e afirmou que vai triplicar os investimentos em ciência, tecnologia e inovação.  O presidente assegurou que se empenhará para que a inflação fique entre 3% e 7% e que lutará pelo equilíbrio fiscal.

Ao discursar pela manhã no Palácio Legislativo, Vázquez se lembrou de quando chegou pela primeira vez à Presidência. "Dez anos atrás, deste mesmo lugar, me dirigia à assembleia geral do poder legislativo na ocasião de assumir a presidência do Uruguai. Hoje (ontem) a vida me dá uma segunda oportunidade", afirmou, em um discurso em que exaltou os valores do herói da independência do Uruguai, o militar José Artigas.

"É nesse homem que devemos encontrar os valores e princípios do Uruguai. Devemos reivindicá-los, assumi-los e levá-los à prática: liberdade, igualdade, justiça, fraternidade", prosseguiu.

Logo depois, durante a cerimônia de transmissão de mandato presidencial, dirigindo-se à população e às autoridades presentes, o presidente comemorou os 30 anos de tradição democrática no Uruguai. "Seguramente vocês não estão aqui apenas para a transmissão de mandato de um presidente, e sim para celebrar a democracia", comentou. 

Vázquez sucede a José Pepe Mujica, o carismático presidente de hábitos humildes que colocou o país no cenário internacional ao apoiar uma série de leis progressistas, como o casamento homossexual, a legalização do aborto e a regulamentação do consumo de maconha.

Ausências. A transmissão de mandato foi marcada pelas ausências: o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cancelou a ida ao Uruguai por conta de um resfriado; o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tenta administrar a crise política e social instalada no país; o da Bolívia, Evo Morales, cumpriu agenda com Mujica às vésperas do fim do mandato, mas retornou antes; o da Colômbia, Juan Manuel Santos, e a da Argentina, Cristina Kirchner, não compareceram.

O vice-presidente Raúl Sendi classificou como "preocupante" a ausência de Cristina. Para representá-la, veio o vice-presidente Amado Boudou, vaiado quando subiu ao palco para cumprimentar o colega uruguaio.

Entre os que compareceram estavam os presidentes de Cuba, Raúl Castro; do Chile, Michelle Bachelet; do Equador, Rafael Correa; e do Paraguai, Horacio Cartes.

Depois de inaugurar um parque eólico ao lado de Mujica, a presidente Dilma Rousseff acompanhou apenas a primeira solenidade, marcando em cima da hora uma agenda bilateral com Vázquez antes mesmo da cerimônia de transmissão de mandato. 

Excelência. Em artigo publicado na edição deste domingo do jornal uruguaio El País, Dilma afirmou ter "plena convicção" de que com o presidente Tabaré Vázquez "manteremos o mesmo nível de excelência das relações entre nossos países". 

"O retorno de Tabaré - amigo do Brasil - ao comando da nação uruguaia nos dá segurança de poder avançar ainda mais na consolidação da integração entre Uruguai e Brasil, em prol do desenvolvimento e do bem-estar de nossas sociedades e do conjunto da região", disse a presidente.

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