Vázquez vence eleição, mas não evita 2º turno no Uruguai, dizem pesquisas

Na votação mais apertada dos últimos 15 anos, ex-presidente uruguaio e candidato da governista Frente Ampla disputará a presidência em uma nova votação contra o opositor Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, no dia 30 de novembro

ARIEL PALACIOS, ENVIADO ESPECIAL / MONTEVIDÉU, O ESTADO DE S. PAULO

26 de outubro de 2014 | 21h25

MONTEVIDÉU - (Atualizada às 22h30) Três pesquisas de boca de urna indicam, na noite deste domingo, 26, que o ex-presidente Tabaré Vázquez, candidato da governista Frente Ampla, foi o primeiro colocado nas eleições presidenciais mais disputadas dos últimos 15 anos no Uruguai. Vázquez, no entanto, não evitou o segundo turno, que disputará contra Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, no dia 30 de novembro. 

Segundo pesquisa da consultora Factum, Vázquez teria 46% dos votos. Lacalle Pou ficaria com 31%. Sondagem do instituto Equipos colocou o ex-presidente com 44%, enquanto seu rival teria 33%. Por fim, a pesquisa da Cifra mostrou Vázquez com 45% dos votos e seu opositor com 32%. O terceiro colocado, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, obteria entre 13% a 17% dos votos, o que lhe coloca como principal alvo de Lacalle Pou para fechar uma aliança para o segundo turno. 

Em 1999, o Partido Nacional e o Partido Colorado, os mais tradicionais do Uruguai, fecharam uma coalizão que poderia ser reeditada agora para derrotar a Frente Ampla, de centro-esquerda.

Estimativas dos institutos de pesquisa também indicam que a Frente Ampla não conseguiria votos suficientes para obter uma maioria parlamentar própria seria obrigada a negociar a governabilidade com outros partidos. 

Os analistas indicam que por trás das dificuldades da Frente Ampla está o desgaste de dez anos no poder, além das disputas internas entre os diversos grupos que integram a colcha de retalhos ideológica do governo, que reúne ex-guerrilheiros tupamaros, comunistas, social-democratas, democratas-cristãos e socialistas. 

Os setores mais à esquerda reclamam da pasteurização da Frente Ampla nos últimos anos, especialmente pela moderação do ministro da Economia, Danilo Astori, que continuaria no cargo na hipótese de vitória de Vázquez. “Quero uma mudança em meu país. Por isso, votarei no Partido Nacional. Renovar é bom”, afirmou ao Estado Wilson Nieto, quando saía de sua seção eleitoral, instalada em uma escola no bairro de Punta Carretas.

A votação teve início hoje às 8 horas e terminou às 19h30. A Corte Eleitoral, responsável pelo controle e fiscalização da votação, calculava os resultados definitivos da apuração seriam anunciados amanhã ao meio-dia. O Parlamento tomará posse no dia 15 de fevereiro. O novo presidente, sucessor de José Mujica, assumirá no da 1.º de março. 

Segundo Alain Mizrhai, sociólogo e diretor da consultoria Grupo Radar, os dois partidos não discutiram durante a campanha questões consideradas consolidadas no Uruguai, como a grande presença das empresas públicas na economia, os conselhos tripartites de salários, as leis de descriminalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Aqui, o que se discute são as nuances de como resolver essas coisas”, disse Mizrhai ao Estado.

Os uruguaios também votaram hoje em um plebiscito sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, mas ela não foi aprovada. Ela seria aplicada para delitos como o homicídio, assalto a mão armada e estupros. No entanto, a medida não alcançou os 50% mais um dos votos necessários para a aprovação, segundo as pesquisas de boca de urna. 

A proposta, patrocinada pelo Partido Colorado e pelo Partido Nacional, chegou a ter o apoio de 64% da população. No entanto, nos últimos dias, sondagens mostravam que o apoio havia caído para 50%, o que colocou a aprovação da medida em risco. 

Tudo o que sabemos sobre:
UruguaiVázquez

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.