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Veículos de imprensa franceses decidem deixar de publicar fotos de terroristas

Emissora BFM TV e jornais Le Monde e La Croix optaram pela medida para evitar uma ‘glorificação póstuma’

O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2016 | 11h18

PARIS - Os meios de comunicação franceses, como a emissora BFM TV e os jornais Le Monde e La Croix, decidiram deixar de publicar imagens dos autores de atentados “para evitar eventuais efeitos de glorificação póstuma” e não colocar vítimas e terroristas no mesmo nível.

“Após o ataque em Nice, não publicaremos mais fotografias dos autores dos massacres para evitar eventuais efeitos de glorificação póstuma”, declarou o diretor do Le Monde, Jérôme Fenoglio, no editorial publicado na quarta-feira, referindo-se ao atentado cuja autoria foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico, que deixou 84 mortos e mais de 300 feridos na Riviera Francesa no dia 14 de julho.

“Não se trata de ocultar os fatos ou a trajetória dos assassinos, e por isso não somos a favor da permanência do anonimato, mas suas fotos servem para descrever sua história”, explicou Fenoglio.

“Tomamos a decisão ontem (terça-feira) à noite de não colocar fotos de terroristas no ar até uma nova ordem”, anunciou Hervé Béroud, diretor de redação da BFM TV, que disse que a decisão estava sendo estudada há algum tempo.

“A imagem tem um caráter simbólico e emblemático” e “pode colocar vítimas e terroristas no mesmo patamar”, afirmou Béroud, acrescentando que continuarão a informar os nomes dos terroristas.

O redator-chefe do La Croix, François Ernenwein, disse que publicará “somente o nome e a inicial do apelido (do terrorista) e não a foto”. Em sua página no Twitter, a emissora de rádio Europe 1 também anunciou que deixará de “citar os nomes de terroristas no ar”.

Mas não são todos os veículos franceses que concordam com a decisão. O progressista Libération não compartilha desse ponto de vista. Segundo o diretor-adjunto do jornal, Johan Hufnagel, manter o anonimato aos autores de atos terroristas não é uma posição sustentável.

“Imagine um artigo com os irmãos S.A., B.A., A.A. e F.A.M”, afirmou. “Publicar fotos de terroristas e glorificá-los não é a mesma coisa. A Dabiq - revista do EI - os glorifica.” / AFP

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