Veja as principais revelações dos documentos de Bin Laden

Cartas do extremista recomendam o assassinato de Obama, mas não do vice Joe Biden. Saiba por quê.

Gordon Corera, BBC

03 Maio 2012 | 18h45

Os 17 documentos do extremista Osama bin Laden, divulgados nesta quinta-feira pelos Estados Unidos, revelam preocupações e algumas estratégias do líder da rede Al-Qaeda. Os papeis são uma pequena fração dos 6.000 arquivos que teriam sido retirados há um ano do esconderijo no qual foi morto, no Paquistão.

É impossível saber em que medida eles representam a totalidade do material encontrado. Ainda assim trazem uma série de preocupações pontuais da cúpula da rede extremista Al-Qaeda.

Os papeis revelam detalhes interessantes do pensamento da organização, como sua estratégia de mídia, relações com grupos afiliados, alvos de atentados, preocupações de segurança e até opiniões sobre grandes acontecimentos, como a Primavera Árabe.

Veja algumas das principais revelações.

Mídia

Um memorando - que teria sido escrito pelo porta-voz americano da Al-Qaeda, Adam Gadahn - ressalta os "benefícios" que Bin Laden teria ao divulgar um novo vídeo à mídia.

Pontos positivos e negativos são discutidos, assim como quais emissoras de TV americanas seriam os melhores canais (elas são descritas como tendo todas o mesmo nível de profissionalismo, exceto pela Fox News).

A qualidade dos vídeos nos quais Bin Laden faz suas aparições também é discutida. A baixa resolução de vídeos anteriores, segundo a organização, deu origem a teorias da conspiração segundo as quais Bin Laden já estaria morto há muitos anos.

Aliados

A relação problemática entre a liderança da Al-Qaeda no Paquistão e seus aliados em outros países também é abordada nos documentos.

Esses grupos se aliaram à organização de Bin Laden, mas muitas vezes adotaram ações que desagradaram a cúpula da Al-Qaeda. O caso mais claro é o do braço iraquiano da rede, que se autodenominou Estado Islâmico e chegou até a atacar muçulmanos.

Adam Gadhan diz em certo ponto que Bin Laden deveria se distanciar do grupo Estado Islâmico.

Também constam no documento advertências à Al-Qaeda na península Arábica.

A cúpula da organização desaprovou a ação de um grupo que declarou um Estado islâmico próprio no Iêmen e criticou ataques de um grupo paquistanês que também matou muçulmanos.

Alvos

Um dos documentos, que aparenta ter sido produzido pelo próprio Bin Laden em maio de 2010, cria estratégias para a rede.

Entre as propostas está o planejamento de atentados contra altos funcionários do governo dos EUA que seriam praticados durante as visitas destes ao Paquistão ou ao Afeganistão.

Entre os alvos estavam o presidente Barack Obama ou o então chefe das Forças Armadas dos EUA no Afeganistão, general David Petraeus.

Já o vice-presidente Joe Biden deveria ser poupado, segundo o raciocínio da rede, por não estar preparado para conduzir o país no caso da morte de Obama, o que levaria os EUA a uma profunda crise.

Segundo o documento, a morte de Petraeus seria capaz de alterar o curso da guerra.

América

A intenção de atacar os EUA fica clara em cartas apreendidas no local. Uma delas, também supostamente escrita por Bin Laden, orienta comandantes da rede na península Arábica e no Iêmen a priorizar ataques contra os EUA em detrimento do combate a inimigos locais.

Bin Laden temia que combatendo inimigos em suas regiões, os aliados da Al-Qaeda pudessem matar muçulmanos.

Segurança

Os problemas de segurança enfrentados por membros da Al-Qaeda na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão foram descritos por Bin Laden em um documento produzido em 2010.

A ação dos aviões não tripulados e de sistemas de vigilância fizeram a rede adotar medidas como evitar viagens de carro a certas regiões.

As providências foram tomadas devido à capacidade das aeronaves de patrulhar grandes áreas, reconhecer alvos e disparar mísseis de grandes altitudes sem ser ameaçadas pelas armas da rede.

Primavera Árabe

Alguns dos documentos mostram a Al-Qaeda tentando reagir às revoltas da Primavera Árabe. Os eventos no Egito e em outros países mostraram a irrelevância da organização em relação às grandes mudanças sociais.

Outro documento, aparentemente, é um rascunho de um pronunciamento que mais tarde, em março de 2011, foi divulgado pelo atual sucessor de Bin Laden, Ayman al-Zawahiri. O texto era sobre a Primavera Árabe.

O rascunho tem anotações que podem ter sido feitas pelo próprio Bin Laden sobre o que deveria ser dito no pronunciamento. Aparentemente a maioria das sugestões foi ignorada. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Mais conteúdo sobre:
topbin ladendocumentosanalise

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.