REUTERS/Stefano Rellandini
REUTERS/Stefano Rellandini

Veja os diferentes cenários possíveis após as eleições na Itália

Especialistas afirmam que são vários os caminhos a se seguir depois da votação, que ocorre em meio a um panorama político fragmentado e com um novo e complexo sistema eleitoral

O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 17h18

ROMA - Os italianos vão às urnas neste domingo, 4, para eleger deputados e senadores em meio a um panorama político fragmentado e com um sistema eleitoral complexo. Segundo especialistas, são vários os cenários possíveis. Veja abaixo o que pode acontecer após as eleições.

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Cenário 1: Vitória da coalizão de extrema direita

"É pouco provável que um desses três candidatos consiga maioria absoluta, mas entre eles há um, apenas um, que poderia conseguir. É a direita", declarou recentemente o diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Luiss de Roma, Roberto D'Alimonte.

A coalizão reúne quatro partidos, entre eles, o Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e a Liga Norte, de Matteo Salvini. Em virtude de seu acordo interno, quem ficar na liderança dirigirá o governo.

Se o Força Itália ficar na frente, Berlusconi - proibido de assumir qualquer cargo público até 2019, em razão de uma condenação por fraude fiscal - disse querer ver Antonio Tajani chefiando o governo. Este já declarou que não está preparado para deixar a Presidência do Parlamento europeu.

Se a Liga Norte levar a melhor, Salvini será o chefe de governo, desde que Berlusconi tenha voz e fique bem atrás dele.

Cenário 2: Grande coalizão

Em plena campanha eleitoral, nem Berlusconi, nem Matteo Renzi, chefe do Partido Democrata (PD), podem se dar ao luxo de evocar um cenário ao atual estilo alemão de "grande aliança", mas o fato é que isso já aconteceu recentemente, depois das últimas legislativas, em 2013.

Segundo o site Votewatch Europe, os eleitos do Força Itália no Parlamento europeu votaram em 74% dos casos como seus colegas do Partido Democrata, mas apenas 36% das vezes como os da Liga Norte.

Nada garante, porém, que o PD, o FI e seus aliados, eventualmente reforçados por alguns dissidentes da Liga Norte que pouco apreciam essa recente virada soberanista, obtenham uma quantidade suficiente de cadeiras para ter maioria em suas duas casas.

Uma outra coalizão hipotética e improvável, negada por interesses ainda em vigor, poderia reunir os eurocéticos, a Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas (M5S). Mas nem essa aliança tem garantia de que conseguirá o número suficiente de assentos, correndo ainda o risco de forte oposição desses partidos.

Cenário 3: Sem maioria parlamentar

Nas últimas pesquisas, a coalizão de direita aparece com pelo menos 38% das intenções de voto (com 17% para o FI e 13% para a Liga Norte), o M5S com 28%, e o PD com 26%. Ainda há milhões de indecisos.

Se nenhuma maioria se desenhar, o presidente da República, Sergio Mattarella, deixará em função do governo atual de Paolo Gentiloni - o qual não tem necessidade de solicitar uma moção de confiança do novo Parlamento - para administrar os assuntos correntes. De qualquer maneira, esse procedimento levará tempo.

As duas Câmaras se reúnem pela primeira vez no dia 23 de março para eleger seus dois presidentes e constituir as comissões. / AFP

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