Velório de Chávez termina na sexta-feira, anuncia Maduro

Venezuelanos ficam até 12 horas em fila para se despedir de presidente, mas população reclama dos transtornos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h02

O presidente encarregado da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem à noite que o corpo de Hugo Chávez será trasladado na sexta-feira para o Museu da Revolução, ou Quartel da Montanha, no distrito de 23 de Enero, e depois será submetido ao processo de embalsamamento. Até lá, o velório na Academia Militar prosseguirá.

Embora uma multidão ainda enfrentasse filas de até 12 horas para estar com Chávez pela última vez por 5 segundos, em média, o longo velório que se estendia ontem por 5 dias começava a causar um certo cansaço em Caracas. O luto oficial se estenderá até amanhã - assim como a lei seca e a proibição do porte de armas em todo o país, a redução das atividades dos serviços públicos e a restrição a festas.

Proprietários de tascas - os tradicionais bares de Caracas onde se serve rum ao som de salsa e rumba - queixam-se do prejuízo de manter suas casas fechadas no fim de semana. "Ninguém é mais chavista do que eu e estamos todos tristes com o que aconteceu", disse ao Estado um desses comerciantes, sob a condição de anonimato. "Mas tenho de pagar o aluguel nesta semana e contava com o faturamento do sábado para poder fazer isso. Mesmo doloridos, temos de seguir vivendo."

María Gabriela Chávez Colmenares, filha do presidente morto, estava esgotada demais para comparecer ao funeral de Estado, do qual participaram representantes de mais de 80 países na sexta-feira. A ausência causou algumas críticas e comentários não só entre membros da oposição, mas também entre alguns chavistas. "Não estive lá porque não consegui me levantar. Estava esgotada. Sou humana, não? Deixem de inventar coisas", postou María Gabriela, na sua conta do Twitter, no sábado.

Uma das presenças mais constantes ao lado do caixão durante o longo velório é a do ajudante de ordens de Chávez, o tenente Juan Francisco Escalona. Desde quarta-feira, ele é visto por horas, em pé e em silêncio, na cabeceira da urna - atento à procissão de milhares de simpatizantes chavistas que passam por ele.

"Só posso estar atento ao vidro que cobre seu féretro, o mesmo que às vezes se embaça porque seu povo não resiste a tocá-lo", escreveu o tenente Escalona na sua conta de Twitter, em um de seus poucos momentos de descanso nos últimos dias, às 7h15 de sábado. "Aqui sigo na frente de um sarcófago, junto a nosso povo grande, esse que chora, a gente humilde que sofre com seu descanso."

O tenente Escalona, que nunca fez declarações públicas, se tornou conhecido na Venezuela por acompanhar Chávez de perto onde quer que ele fosse. Num discurso em que falava da regulamentação da exploração mineral no país e levantou um lingote de ouro, em 2012, Chávez brincou com a proximidade do ajudante de ordens: "Cuidado, tenente Escalona. Se isso cair, cai no seu pé". / R.L.

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