Velório de Kirchner atrai multidão na sede do governo argentino

Presidente Cristina aparece em público pela primeira vez desde morte de marido.

Marcia Carmo, BBC

28 de outubro de 2010 | 13h45

No funeral, Cristina apareceu em público pela 1ª vez após a morte

Milhares de pessoas estão comparecendo nesta quinta-feira ao velório do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, que está sendo realizado na Casa Rosada, sede do governo argentino, em Buenos Aires.

A atual mandatária do país e viúva de Néstor, Cristina Kirchner, vestida de negro e de óculos escuros, chegou ao local acompanhada pelos filhos que teve com ele, Florencia, de 19 anos, e Máximo, de 32 anos.

Os três chegaram em silêncio ao velório, que é mostrado, ao vivo, pelas emissoras de televisão do país. Foi a primeira vez que a presidente foi vista em público desde a morte do marido, na manhã da quinta-feira.

O velório, que começou na manhã desta quinta-feira, só deve acabar na sexta-feira, quando o corpo do ex-presidente deve ser cremado.

A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que ele deve ir à Argentina ainda nesta quinta-feira para participar do velório.

Fila

O corpo está sendo velado no salão dos patriotas da Casa Rosada. Tradicionalmente velórios de autoridades ocorrem no Congresso Nacional - esta é a primeira vez que um ex-presidente é velado na sede da presidência argentina.

Muitos dos presentes, ao se aproximarem do caixão, se benzem, jogam beijos ou aplaudem.

Alguns, aos prantos, dizem: "força, força", olhando para o féretro. Outros, com uma mão no peito, erguem a outra para o alto com o sinal da vitória, gesto característico do ex-presidente.

Outros levam a bandeira do país pendurada nas costas e deixam o velório gritando: "Olé, olé, olé, Néstor, Néstor".

No final da manhã, a fila para ver o caixão do ex-presidente se estendia por cerca de quatro quarteirões.

Autoridades

Ministros do governo se posicionaram em torno do caixão, coberto com uma bandeira nacional. Políticos e entidades de diferentes linhas enviaram coroas de flores.

Nesta manhã, chegaram ao país os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa.

"Eu me sinto órfão. Contei com Kirchner todas as vezes que precisei e nos piores momentos da política do meu país", disse Morales.

"Estou profundamente triste", afirmou Correa. Além de Lula, ainda são esperados os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, do Uruguai, José Mujica e da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O Papa Bento 16, a chanceler da Alemanha, gela Merkel, e o presidente dos Estados Unidos, mandaram condolências pela morte do ex-presidente, que governou o país entre 2003 e 2007 e que era apontado, por analistas, como a "coluna vertebral" e "a cabeça" do governo da esposa.

"Néstor Kirchner contribuiu para o país se recuperar de uma profunda crise", disse Merkel.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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