Velório no Quênia acaba em violência; Annan promove diálogo

A polícia do Quênia usou gáslacrimogêneo na quarta-feira contra jovens que atiravam pedrasperto do velório de membros da oposição. No mesmo dia, porém, oex-secretário-geral da ONU Kofi Annan obteve um início positivoem sua missão para tentar mediar a crise política no país. Em seu primeiro dia no Quênia, Annan convenceu o MovimentoDemocrático Laranja (ODM, principal partido da oposição) acancelar as manifestações marcadas para serem retomadas naquinta-feira. "Atendendo a um pedido da equipe de mediação, cancelamos asatividades planejadas para amanhã", disse William Ruto,dirigente do ODM, a jornalistas após líderes do partido sereunirem com Annan. Annan esteve com o líder oposicionista Raila Odinga, eantes havia se encontrado com o presidente do Parlamento e como presidente de Uganda, Yoweri Museveni, que também tentamediar a crise. Ainda na quarta-feira, Annan seria recebidopelo presidente Mwai Kibaki, mas o encontro foi cancelado. O velório de 28 favelados supostamente mortos pela políciadurante manifestações contra o governo teve cenas caóticas.Várias cápsulas de gás lacrimogêneo caíram no campo de futebolde Nairóbi onde Odinga fazia uma oração diante dos caixões. Depois disso, jovens seguidores da oposição atearam fogo auma agência de correio perto dali. "Esta é uma guerra entre o povo do Quênia e um pequenobando de gente muito sedenta de sangue que deseja se aferrar aopoder a todo custo", disse Odinga à multidão, enquanto aviolência tomava conta de uma rodovia próxima. "Vamos noserguer como um só povo para libertar nosso país." Cerca de 650 pessoas já morreram desde a eleição dedezembro, que deu um novo mandato ao presidente Mwai Kibaki,acusado pela oposição de ter fraudado o pleito. Pelo menos maisduas pessoas foram mortas numa favela de Nairóbi na manhã dequarta-feira. A polícia suspendeu a proibição de manifestações públicas,que vigorava desde a posse de Kibaki, em 30 de dezembro, quandohouve distúrbios e saques. A exceção foi aberta para quehouvesse homenagens do ODM aos seus "combatentes da liberdade"mortos na favela de Kibera. O dia começou pacificamente, com centenas de seguidores daoposição numa passeata que partiu de Kibera, reduto da etnialuo, de Odinga. O evento ficou violento quando cerca de 12jovens pararam alguns carros numa rodovia, quebraram vidros eagrediram os ocupantes que não pertenciam à tribo luo. Testemunhas disseram que a polícia interveio, masinicialmente sem fazer disparos, enquanto cada vez mais jovensapedrejavam-nos. Só então recorreram ao gás lacrimogêneo, partedo qual caiu no gramado, dispersando os líderes do ODM eassustando os participantes do velório. Quando a polícia recuou, os jovens incendiaram uma agênciapostal, quebraram vidraças e derrubaram um muro. O ODM queixou-se posteriormente que a polícia teriaagredido pessoas pacíficas que participavam do velório. (Reportagem adicional de Joseph Sudah, Duncan Miriri eBryson Hull)

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