Veltroni joga duro contra Berlusconi

Em seu último comício, centro-esquerdista ataca rival por ter apoio de separatistas e haver chamado ex-mafioso de herói

Lourival Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

12 de abril de 2008 | 00h00

O candidato de centro-esquerda Walter Veltroni atacou ontem o seu rival de centro-direita, o ex-premiê Silvio Berlusconi, por ser apoiado por separatistas do norte e por ter chamado de "herói" um ex-mafioso. O encerramento da campanha de Veltroni para as eleições gerais de amanhã e de segunda-feira na Itália reuniu cerca de 10 mil simpatizantes, que enfrentaram uma chuva fina e persistente na monumental Praça do Povo, a partir do fim da tarde. As pesquisas o colocam entre 5 e 9 pontos atrás de Berlusconi. "Que diabo de ensinamento é esse que estão dando a nossos filhos?", perguntou Veltroni. Na quarta-feira, Berlusconi endossou uma declaração do senador Marcello Dell?Utri, membro fundador de seu partido, Força Itália. Dell?Utri, que foi condenado em primeira instância por atividades mafiosas, qualificara de "herói" Vittorio Mangano, por sua vez um ex-empregado de Berlusconi processado também por envolvimento com a Máfia. Veltroni lembrou os juízes mortos pela Máfia, incluindo Paolo Borsellino, que processou Mangano. "Borsellino não poderia imaginar que um político do primeiro escalão chamaria de herói alguém investigado por ele", disse o candidato.Veltroni ridicularizou os rituais de estilo medieval de juramento de fidelidade promovidos pela Liga do Norte e lembrou a recente frase de seu líder, Umberto Bossi, sobre "pegar em fuzis contra a canalha comunista de Roma". "Como pode um ministro das Reformas Institucionais dizer uma coisa dessas?", perguntou Veltroni, referindo-se ao cargo de Bossi no segundo governo de Berlusconi (2001-2006). "Não posso conceber que o eleitor de uma aliança nacional vote no separatismo", acrescentou, referindo-se ao apoio de Bossi à frente O Povo da Liberdade, de Berlusconi. Num telão montado no palanque foram mostradas mensagens de apoio a Veltroni dos premiês da Grã-Bretanha, Gordon Brown, e da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e da presidente do Chile, Michelle Bachelet. "Pertenço à geração deles", disse Veltroni, que tem 52 anos. "São todos da minha idade, porque as pessoas, quando votam, querem abrir um ciclo de mudança", continuou, numa referência à idade de Berlusconi, 71 anos. "Basta de passado, de ódio", propôs o candidato de centro-esquerda. Antes dele, falou Francesco Rutelli, o candidato de sua aliança, Partido Democrático, a prefeito de Roma, considerado o favorito nas eleições. Ele agradeceu a "coragem" do jogador Francesco Totti, capitão do Roma, de declarar apoio a sua candidatura. "Totti mostrou que é um verdadeiro campeão", afirmou Rutelli - que torce para a Lazio -, em resposta a críticas de Berlusconi pelo fato de o jogador aparecer nos cartazes de campanha do candidato a prefeito. O bilionário magnata da mídia garantiu ontem que muitos jogadores de seu time, o Milan, quiseram entrar em sua campanha, mas ele não deixou. "Essa é a diferença entre eu, Veltroni e Rutelli", gabou-se Berlusconi. No encerramento de sua campanha, na quinta-feira, Berlusconi foi, no entanto, pouco sutil ao tentar se associar a outro ídolo do futebol, Ronaldinho Gaúcho. Ele anunciou aos cerca de 6 mil simpatizantes, no comício ao lado do Coliseu, que Ronaldinho tinha dito que, se o Barcelona vendesse seu passe, gostaria de ir jogar no Milan.

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