Vencedor do Nobel de Literatura deixa Turquia após ameaças

Temendo por sua segurança, o vencedor do prêmio Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, deixou a Turquia na última quinta-feira e foi para os Estados Unidos. Após enfrentar os ultranacionalistas no tribunal, o escritor teria saido do país por conta de ameaças, segundo o jornal argentino Clarín.A imprensa local assegura que o escritor, que recebeu críticas em Istambul por reconhecer o Genocídio Armênio, saiu do país temendo ter o mesmo fim de Hrant Dink, jornalista turco-armênio que tocou neste mesmo tema e foi assassinado por um fanático nacionalista.O Genocídio Armênio, também conhecido como o Holocausto Armênio, refere-se à evacuação em massa e assassinatos de centenas de milhares de armênios durante domínio turco entre 1915 e 1917, no Império Otomano.A República da Turquia hoje nega os a idéia do genocídio, atribuindo as mortes a confrontos étnicos internos, doenças e escassez de alimentos durante a Primeira Guerra Mundial. Em meio a esse clima, Pamuk cancelou algumas de suas viagens, à Alemanha, por exemplo. O escritor tomou um Avião das Linhas Aéreas da Turquia e foi aos EUA, abandonando seu país "por muito tempo", assegurou o diretor do Sabah, jornal turco de maior circulação.O escritor foi levado ao tribunal por suas declarações, que ofendem a "identidade turca", em virtude do polêmico artigo 301 do novo código penal turco. Na Turquia é crime tipificado no código penal (art.301) afirmar que os turcos massacraram os armênios, assim como é proibido "insultar a identidade turca".Segundo o jornal Sabah, os jornais sabiam da partida de Pamuk desde quarta-feira, mas não divulgaram para evitar protestos (dos ultranacionalistas) no aeroporto. Pamuk não deu detalhes de quanto tempo pretende ficar fora de Istambul. Apenas se limitou a dizer à imprensa que tem alguns compromissos na Universidade de Columbia, onde leciona.

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