Vencedores do Nobel de Química revolucionam microscopia

Os cientistas norte-americanos Eric Betzig e William Moerner e o alemão Stefan Hell venceram o prêmio Nobel de Química nesta quarta-feira, por desenvolverem novos métodos que permitem aos microscópios captar imagens de maior detalhamento.

Estadão Conteúdo

08 de outubro de 2014 | 09h33

Segundo a Academia Real das Ciências da Suécia, o trio atuou no desenvolvimento da microscopia de fluorescência de super-resolução e ultrapassou a nitidez máxima dos microscópios ópticos tradicionais. "Seu trabalho inovador trouxe a microscopia óptica à nanodimensão", afirma a Academia, em comunicado.

Betzig, de 54 anos, trabalha no instituto médico Howard Hughes, em Ashburn, Virginia. Hell, 51, é diretor do instituto Max Planck de Química Biofísica, em Goettingen, na Alemanha. Já Moerner, 61, é professor na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Durante muito tempo, a qualidade dos microscópios ópticos era limitada pelo comprimento de onda da luz. Por causa disso, os cientistas acreditavam que jamais conseguiriam atingir uma resolução superior a 0,2 micrômetros.

O desenvolvimento tornou possível a Hell estudar células nervosas para compreender melhor o funcionamento das sinapses cerebrais. Moerner, por sua vez, estudou proteínas relacionadas à doença de Huntington e Betzig monitorou a divisão celular em embriões.

"Eu fiquei totalmente surpreso, não pude acreditar", disse Hell ao descobrir que havia vencido o prêmio.

"Eu estou incrivelmente entusiasmado e feliz de ser incluído (na lista de vencedores) com Eric Betzig e Stefan Hell", afirmou Moerner.

O presidente da Sociedade Americana de Química, Tom Barton, disse que o progresso dos três cientistas permitirá à Biologia estudar detalhes minúsculos de seres vivos. Isso porque, embora exista um microscópio capaz de analisar detalhes com resolução ainda maior, o equipamento não pode ser utilizado em tecidos vivos.

"Antes só poderíamos ver os contornos das bactérias, mas agora podemos olhar dentro delas e ver coisas tão pequenas quanto moléculas individuais", afirmou Claes Gustafsson, membro do comitê do prêmio Nobel.

"De repente podemos começar a estudar detalhes com os quais só poderíamos sonhar anteriormente. Isso é uma revolução, porque há 15 anos acreditávamos ser teoricamente impossível vencer essa barreira", disse Gustafsson.

No ano passado, o prêmio Nobel de Química foi entregue a três cientistas que trabalhavam nos Estados Unidos e desenvolveram modelos de computadores para compreender interações químicas complexas e criar novos medicamentos.

Nesta semana, já foram anunciados os vencedores dos prêmios Nobel de Medicina e Física. Ainda serão divulgados os ganhadores dos prêmios de Literatura (na quinta-feira), da Paz (sexta-feira) e de Economia (no dia 13 de outubro). Os prêmios serão entregues em cerimônia no dia 10 de dezembro, data em que o cientista Albert Nobel morreu, em 1896. Fonte: Associated Press.

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