Venda de armas no Colorado sobe 43% após massacre

Moradores do Estado ampliaram busca por curso de tiro e licença para porte após universitário matar 12 em cinema de Aurora

DENVER, EUA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h04

Registros para a compra de armas de fogo tiveram um aumento de 43% no Estado do Colorado depois do massacre de sexta-feira em um cinema da cidade de Aurora. Instrutores de tiro também constataram maior interesse no treinamento exigido para tirar o porte de armas.

"Foi uma coisa insana", disse na segunda-feira Jake Meyers, funcionário da loja Rocky Mountain Guns and Ammo da região de Parker, em Denver. Quando ele chegou ao trabalho, na manhã de sexta-feira - poucas horas depois do ataque de Holmes ao cinema Century Aurora - havia entre 15 e 20 pessoas esperando do lado de fora da loja.

Na sua opinião, o primeiro dia da semana "foi provavelmente a segunda-feira de maiores vendas no ano todo". E acrescentou que as aulas básicas de tiro que ele e o dono da loja dão aos clientes já estão esgotadas nas próximas três semanas, algo inédito.

Ontem, os investigadores retornaram à casa do universitário James Holmes, atirador que deixou 12 mortos e 58 feridos - ontem, um homem que teve morte cerebral após ser ferido na chacina tornou-se pai. Três pessoas foram presas nas últimas 24 horas nos EUA acusadas de fazer ameaças durante sessões do novo filme do Batman - escolhido por Holmes para a carnificina.

Entre a sexta-feira e o domingo, o Departamento de Investigações do Colorado aprovou o levantamento de antecedentes de 2.887 pessoas que queriam comprar uma arma. A cifra representa um aumento de 43% em relação ao mesmo período na semana anterior e de 39% em relação ao primeiro fim de semana de julho.

A maior alta foi na sexta-feira, quando foram feitas 1.216 verificações, um aumento também de 43% em relação à média das duas sextas-feiras anteriores. O Estado do Colorado exige esse tipo de levantamento antes de qualquer pessoa adquirir legalmente uma arma.

Esses aumentos costumam ocorrer depois de massacres. Após um atirador de Tucson matar seis pessoas - e ferir a deputada Gabrielle Giffords, em 2010 -, as verificações de antecedentes no Arizona registraram um salto de 60% em relação à mesma data no ano anterior, informou o FBI. Aumento semelhante ocorreu em Virgínia depois do massacre de 13 pessoas na Virginia Tech University em 2007.

Tom Mauser, um defensor do controle de armas cujo filho Daniel foi morto na escola de Columbine, em 1999, disse que não se surpreendeu com os números. "Para mim, isso mostra apenas que as pessoas se deixam levar pelo medo", afirmou.

A deputada democrata Rhonda Fields, de Aurora, disse que compreende o que as pessoas estão pensando quando entram numa loja de armas. Mas ela disse esperar que a compra de uma arma não seja a sua única resposta. Rhonda afirma que gostaria também de ver o Congresso reforçar uma proibição de armas de assalto. Para ela, o Colorado deveria estudar outras medidas para impedir tragédias como o massacre de sexta-feira.

"Acho que as pessoas precisam conversar sobre isso", afirmou. "Não acho que seja uma atitude preventiva dizer: nós precisamos fornecer mais armas ou precisamos ter mais armas." / THE NEW YORK TIMES, TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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