AP Photo/Alan Diaz
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Vendedores de armas de Las Vegas temem novas restrições após ataque a tiros

Autor dos disparos, Stephen Paddock tinha 12 fuzis dotados do mecanismo ‘bump stock’, que permite disparar de maneira contínua; a venda desse tipo de arma é permitida nos EUA, mas a de automáticas é proibida desde os anos 1980

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 15h03

LAS VEGAS, EUA - Os vendedores de armas de Las Vegas temem a adoção de novas restrições a seu negócio, depois do ataque a tiros que deixou 58 mortos e mais de 400 feridos no domingo 1.º, o mais letal da história recente dos EUA.

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O autor da ação, o aposentado Stephen Paddock, disparou contra a multidão com fuzis de assalto modificados para conseguir disparar dezenas de balas sem precisar acionar constantemente o gatilho com o dedo.

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Paddock contava com 12 fuzis dotados de um mecanismo chamado "bump stock", que permite disparar de maneira contínua até esvaziar o carregador. Basta agregar à arma uma culatra destacável especial, que permite não largar o gatilho ao atirar.

A venda de armas desse tipo é permitida. Já a de armas automáticas é proibida nos EUA desde os anos 1980. Na cidade de Las Vegas, em Nevada, um dos Estados mais permissivos em relação à venda de armas, poucos comerciantes do setor aceitaram falar sobre o ataque ou o arsenal de Paddock.

"Estou horrorizado. Foi um ato típico de um covarde, de um louco", disse Art Netherton, proprietário da loja de armas Briarhawk, um dos poucos profissionais a conversar com a imprensa. Ele se opõe a qualquer eventual reforma das leis sobre a venda de armas. Para ele, seria uma "reação covarde".

"Há centenas de leis nos livros. Se bem me recordo, o assassinato é ilegal, as drogas são ilegais, o homicídio com automóvel é ilegal. Estamos cheios de leis, não precisamos de mais", afirmou.

Ele admitiu, porém, que se poderia rever a "questão da saúde mental" dos compradores. "É evidente que (Paddock) não estava bem", comentou. Segundo Netherton, o "bump fire" "não é muito popular" entre os amantes das armas, ainda que seja permitido.

"É caro e não funciona muito bem. Precisa de muita prática para conseguir disparar, porque é uma questão de ritmo. Não temos na nossa loja, nunca vendemos", frisou.

Paddock tinha mais de 40 armas e milhares de munições. Em novembro e dezembro de 2016, comprou dois fuzis e um revólver na Discount Firearms and Ammo de Las Vegas. "Não houve nada de particular nessa operação", disse um dos donos do estabelecimento, Dennis Keck, em uma nota, acrescentando que o atirador nunca mais voltou. / AFP

 

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