ANDREA MERELO/EFE
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Veneza registra maior nível de maré alta em 50 anos

‘Acqua alta’ atingiu 1,87m, marca que não era alcançada desde 1966, de acordo com medição do Centro de Marés da cidade italiana

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 10h06

ROMA - Veneza registrou na noite de terça-feira, 12, uma histórica “acqua alta” (maré alta), com um pico que pode atingir ou superar 1,90 metro, segundo o Centro de Marés da cidade italiana. “Enfrentamos uma maré mais que excepcional. Todos estão mobilizados para manejar a emergência”, escreveu o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, em sua conta no Twitter.

"Amanhã pediremos o estado de catástrofe natural porque os custos serão provavelmente significativos e se espera que o nível da água continue subindo", acrescentou Brugnaro. "Necessitamos que todos nos ajudem a lidar com o que é claramente o impacto da mudança climática."

Por volta de meia-noite, o Centro de Marés indicava uma altura de 1,87 m, a maior “acqua alta” desde o recorde registrado no dia 4 de novembro de 1966. O nível das marés é registrado em Veneza desde 1923.

Um nível de maré de 1,87 m não significa que a cidade esteja submersa sob quase 2 m de água. Desta altura deve-se subtrair o nível médio da cidade, que se encontra em entre 1 m e 1,30 m.

Segundo jornalistas da TV da Agência France-Presse, o nível da água atingia “1,20 metro em algumas zonas”. “Estávamos a par do fenômeno, mas fomos beber algo e quando saímos, olhem....”, disse uma turista francesa, que foi surpreendida pelas águas.

Basílica de São Marcos inundada

As águas inundaram o vestíbulo da basílica de São Marcos, algo pouco frequente.

O procurador do prédio, Pierpaolo Campostrini, lembrou que em toda a história da basílica - construída em 828 e reconstruída em 1063 (após um incêndio) - o vestíbulo só foi inundado em cinco ocasiões.

O mais preocupante é que três das cinco grandes inundações ocorreram nos últimos 20 anos. A última foi em 2018.

O fenômeno da “acqua alta” costuma inundar as zonas baixas da cidade, em particular a Praça de São Marcos. Na noite de terça, o fenômeno foi agravado pelo siroco, um forte vento saariano.

Para proteger Veneza das marés, que afetam cada vez mais seu patrimônio artístico, em 2003 foi iniciada a construção de 78 diques flutuantes com base no projeto MOSE (Módulo Experimental Eletromecânico). Este sistema fechará a lagoa em caso de excessiva elevação das águas do Adriático. / AFP

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