Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Venezuela, a antiga potência petroleira em crise vai às urnas

País que já foi principal exportador de petróleo da América Latina realiza eleições legislativas em meio a uma grave crise política, econômica e migratória

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2020 | 06h30

CARACAS - A Venezuela, onde espera-se que o partido do presidente Nicolás Maduro arrebate a maioria do Parlamento, dominado hoje pela oposição, nas eleições legislativas de domingo, foi o principal exportador de petróleo da América Latina, mas está mergulhada em uma grave crise política, econômica e migratória.

Maduro, o polêmico herdeiro de Chávez 

Hugo Chávez, eleito presidente em 1998, lançou uma "revolução bolivariana". Ele ganhou popularidade com vários programas sociais em um país de desigualdades flagrantes, com um estilo de governo que combinava esquerdismo e militarismo. Em 2012, foi eleito para um terceiro mandato, mas no ano seguinte morreu de câncer.

Seu sucessor, Nicolás Maduro, tornou-se impopular quando o país passou por uma grave crise econômica que gerou manifestações violentas em 2014, com 43 mortes.

Em 2016, a oposição assumiu a maioria no Parlamento, cujas decisões foram revogadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em 2017, quatro meses de manifestações deixaram 125 mortos. A oposição e parte da comunidade internacional não reconhecem o segundo mandato de Nicolás Maduro, iniciado em janeiro de 2019.

O opositor Juan Guaidó, presidente do Parlamento, que declarou Maduro "usurpador", se autoproclamou presidente interino e foi reconhecido por cerca de 60 países, incluindo os Estados Unidos.

Apesar de novos protestos e uma chamada fracassada por um levante militar, Guaidó falhou por dois anos em remover Maduro do poder, que tem o apoio das Forças Armadas, Rússia, China, Irã e Cuba.

País do ouro negro

Este país caribenho de 916.445 km2 e 30 milhões de habitantes é um dos dois membros latino-americanos (ao lado do Equador) da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Por falta de liquidez para modernizar os campos de petróleo, a produção de petróleo, que era de 3,2 milhões de barris por dia há 12 anos, caiu para menos de 400 mil barris por dia, ou seja, aos níveis da década de 30.

Para sufocar o regime chavista, os Estados Unidos impõem sanções ao petróleo desde abril de 2019. 

Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela recentemente teve de recorrer a petroleiros do Irã para aliviar uma escassez aguda de combustível. Maduro quer abrir o setor aos seus aliados com uma polêmica lei que facilita os investimentos no anonimato.

Colapso da economia 

Antes do coronavírus, que agrava ainda mais a crise, a economia venezuelana já havia caído pela metade em sete anos de recessão, a hiperinflação chegou a 9.000% em 2019 e a moeda local, o bolívar, despencou.

Afetada pela queda do preço do petróleo desde 2014, a Venezuela, que obteve 96% de sua receita com petróleo em 2019, sofre com a falta de divisas que causou uma crise aguda, gerando um êxodo de mais de 5 milhões de venezuelanos em fuga da escassez de alimentos, remédios, água, gasolina e eletricidade.

Maduro afirma que a crise é resultado de uma "guerra econômica" travada pela direita e pelos Estados Unidos para derrubá-lo.

Um dos países mais violentos

Este país, um dos mais violentos do mundo, declarou oficialmente que a taxa de homicídios caiu em 2019 para 21 por 100 mil habitantes, número questionado pelo Observatório da Violência da Venezuela, que responde por 60,3 homicídios por 100 mil, dos dos quais um terço ocorreu durante operações policiais contra o crime.

Sucesso da educação musical

O programa de educação musical El Sistema, fundado por José Antonio Abreu para jovens de bairros populares, ganhou fama mundial e serviu de modelo em mais de 50 países. Seu rosto mais famoso é o do maestro Gustavo Dudamel.

Tem outros artistas ilustres como o pintor cinético Carlos Cruz-Diez, que morreu em 2019, o ator Edgar Ramírez ou o romancista franco-venezuelano Miguel Bonnefoy, indicado a vários prêmios literários./AFP


 

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