Erin Schaff / The New York Times
Erin Schaff / The New York Times

Venezuela à Síria: quando deixam embaixadas, diplomatas dos EUA destroem documentos e tiram bandeira

Manual de procedimentos do Departamento de Estado americano determina que equipamentos especiais e documentos secretos sejam destruídos ou levados para outra localidade

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 05h00

WASHINGTON - De acordo com um manual de procedimentos do Departamento de Estado americano, quando o governo decide retirar toda sua equipe diplomática de determinado país, documentos secretos e equipamentos especiais são destruídos ou, em alguns casos, levados para outra localidade - como ocorreu em 2014, quando os Estados Unidos transferiram equipamentos da Líbia para a Tunísia.

A bandeira também é removida do mastro instalado no prédio da embaixada. Para dar outro exemplo, os marines recolheram o símbolo americano em Cuba, em 1961, quando a embaixada foi fechada, e a bandeira americana só voltou a ser hasteada no país em 2015, depois da reaproximação conduzida por Barack Obama.

Na noite da segunda-feira 11, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, anunciou a retirada dos últimos diplomatas do país na Venezuela em razão da "deterioração da situação" no país caribenho.

No caso venezuelano, no entanto, o Departamento do Estado ainda não esclareceu o que será feito com todos os documentos armazenados na embaixada e também não informou como será o procedimento de saída de seus representantes no país.

O fechamento de representações diplomáticas pode ser um procedimento de curta duração, em razão de um alerta de segurança, por exemplo, como em 2013, quando 22 embaixadas e consulados americanos ficaram um dia inteiro sem operação após uma ameaça terrorista. 

Em outros casos, porém, essa ruptura pode durar meses e até anos. Os americanos não tem representação oficial na Síria desde 2012, quando todos os diplomatas do país foram retirados em razão dos riscos ocasionados pela guerra civil iniciada um ano antes no país.

É também a situação em relação ao Irã, cuja embaixada foi fechada em 1979 depois da Revolução Islâmica. Já a Coreia do Norte nunca contou com um corpo diplomático americano já que o país não foi reconhecido por Washington em 1948, quando os americanos oficializaram suas relações com a Coreia do Sul.

Nestes locais, os EUA dependem de um terceiro país para conduzir suas questões diplomáticas e consulares. Na Síria, esse papel é feito pela República Checa; no Irã, pela Suíça; e na Coreia do Norte pela Suécia.

Também existe a possibilidade de os EUA encarregarem uma de suas representações em um país próximo para lidar com questões em outro território. É o que ocorre em relação ao Butão, que não tem relações diretas com Washington. Neste país, a assistência consular aos cidadãos americanos é feita pela embaixada americana em Nova Délhi, na Índia, que se comunica com a embaixada butanesa também na capital indiana. / THE WASHINGTON POST

 

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