Venezuela abre campanha com Chávez onipresente

Menos de um mês após a morte do presidente Hugo Chávez e quase seis meses desde a última disputa eleitoral, a Venezuela vai enfrentar a partir desta quarta-feira uma nova campanha política. A volta às urnas está sendo dominada pela presença do falecido líder que se converteu na principal bandeira do governo para garantir a sobrevivência da chamada revolução bolivariana.

AE, Agência Estado

02 de abril de 2013 | 18h37

Com eventos marcados em duas cidades do interior do país, o presidente em exercício e candidato do governo, Nicolás Maduro, e o representante da oposição, Henrique Capriles, dão início hoje a suas campanhas com vistas às eleições de 14 de abril.

Ainda que Maduro tenha iniciado uma incipiente campanha há três meses, quando Chávez o escolheu como seu herdeiro político, a arrancada da disputa eleitoral se fará mais palpável na quarta-feira, quando as ruas da capital e de outras cidades do interior do país amanhecerão inundadas de cartazes do candidato do governo e de folhetos onde aparece o rosto de Chávez e a mensagem "Maduro a partir do meu coração."

Horas antes de iniciar seu primeiro evento de campanha em Barinas, Maduro visitou a cidade de Sabaneta, povoado natal de Chávez, onde se reuniu com os irmãos do falecido presidente e visitou a casa humilde onde nasceu o líder político.

Em meio ao encontro, Maduro aproveitou para convocar os seguidores do governo a deixarem de lado a tristeza pela morte de Chávez e se prepararem para defender o "legado" do mandatário.

"Em homenagem e em honra ao nosso comandante existe apenas um destino: a vitória, a vitória do povo venezuelano sobre as forças do mal, sobre as forças da escuridão, e essa vitória será de nosso comandante", indicou Maduro, de 50 anos, que se mostrou confiante em que sairá vencedor nas eleições.

"Temos de nos manter sempre unidos e construir uma direção coletiva e profundamente unida no espírito e na ideologia desta revolução", afirmou o candidato do governo ao denunciar, sem dar detalhes, que foi arquitetado um plano para dividir as forças armadas 12 dias antes dos comícios presidenciais.

Segundo transmitiu a televisão estatal, Maduro pediu aos uniformizados para permanecerem alertas porque "querem dividir as forças armadas. Alerto a todos e todas. Novos traidores andam rondando a nossa gloriosa força armada".

O anúncio de Maduro coincidiu com uma denuncia feita no domingo pelo deputado da oposição Alfonso Marquina, que acusou o ministro da Defesa, almirante em chefe Diego Molero, e o general da Guarda Nacional Antonio Benavides, chefe de um comando regional da capital, de estarem preparando um plano para utilizar os militares e as milícias nos próximos comícios para pressionar os eleitores a votarem a favor do candidato do governo.

Capriles, 40 anos, convocou seus seguidores a se unirem na "cruzada" para derrotar Maduro na disputa eleitoral. "Vamos, com esperança, fé e valentia", afirmou o candidato da oposição em sua conta pessoal no microblog Twitter.

O dirigente assegurou na véspera que os dias de campanha deixarão claro que ele fará "de tudo" para garantir seu triunfo e instigou os 6,5 milhões de eleitores que votaram nele em 7 de outubro - quando Chávez foi reeleito - que "não o deixem só" desta vez.

Capriles deve começar formalmente nesta quarta-feira sua campanha eleitoral na cidade de Maturín, a cerca de 500 quilômetros da capital. Desde meados do mês passado, o candidato da oposição iniciou uma série de visitas a vários Estados do país como parte de uma pré-campanha.

Maduro inicia a campanha como favorito, segundo assinalam alguns institutos locais de pesquisa. Um estudo feito no mês passado pela Datanálisis, um dos principais institutos de pesquisa do país, revelou que o presidente em exercício conta com respaldo de 49,2% e vence por 14,4 pontos porcentuais o candidato da oposição.

A pesquisa, realizada entre os dias 11 e 13 de março por telefone com 800 pessoas e com margem de erro de 3,4 pontos porcentuais para mais ou para menos, determinou que Capriles conta com o apoio de 34,8% dos eleitores.

O diretor do instituto de pesquisa GIS XXI e ex-ministro do governo de Chávez disse na semana passada no canal de TV privado Venevisión que na "breve campanha" Maduro sai como favorito, porém sustentou que o resultado da disputa dependerá de como se move cada comando de campanha.

O ex-ministro disse que o coordenador da campanha oficial orientou sua estratégia para "tratar de manter o vínculo com o projeto do falecido presidente com Nicolás Maduro", enquanto que a oposição se concentrou em uma campanha "muito mais agressiva" para tratar de separar a conexão de Chávez com seu herdeiro político. As informações são da Associated Press.

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