REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

Venezuela acumula 42,5% de inflação e projeta fechar ano com 741%

Dados são da Assembleia Nacional, controlada pela oposição; há um ano BC não divulga dados

O Estado de S.Paulo

09 de março de 2017 | 05h00

CARACAS - A Assembleia Nacional da Venezuela (AN, parlamento) informou nesta quarta-feira que a inflação acumulada durante janeiro e fevereiro subiu para 42,5% no país e projetou fechar o ano com 741% neste indicador, que o Banco Central (BCV) não divulga há mais de um ano.

O presidente da Comissão de Finanças da Assembleia, o deputado opositor José Guerra, indicou durante uma sessão da AN que o chamado Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC, inflação) foi de 20,1% em fevereiro, superior aos 16,7% registrados em janeiro.

Estes dados, segundo Guerra, sugerem que está acontecendo uma "destruição da capacidade aquisitiva dos salários, pensões e aposentadorias dos venezuelanos", diz o deputado em comunicado.

"Uma taxa de inflação desta magnitude se explica principalmente pelo aumento de 275% do dinheiro nominal emitido pelo BCV até agora em 2017. A desvalorização acumulada do bolívar no mercado paralelo e as expectativas de desvalorização do bolívar tiveram a mesma influência neste aumento de preços", continuou.

Em fevereiro, Guerra explicou à agência EFE que o Parlamento decidiu construir um índice de inflação usando toda a metodologia do BCV, "que é universal e não requer maior ciência", devido ao silêncio do órgão emissor.

A inflação na Venezuela, que segundo o BCV fechou 2015 em 180,9%, é um problema induzido pela "guerra econômica", segundo o governo de Nicolás Maduro, que culpa empresários e opositores pela grave crise que o país atravessa.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu em abril do ano passado que o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano se contrairia 8% em 2016, após retroceder 5,7% em 2015, enquanto a projeção de inflação era superior aos 480% para o fechamento do ano passado.

O Banco Central mantém silêncio desde fevereiro de 2016 sobre os números oficiais de inflação, PIB e escassez. / EFE

 

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