Juan BARRETO/ AFP
Juan BARRETO/ AFP

Venezuela acusa embaixador da Espanha em Caracas de ser cúmplice na 'fuga' de López 

Líder da oposição deixou seu país após passar 18 meses como hóspede na residência do embaixador em Caracas 

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2020 | 19h08

CARACAS - O governo do presidente Nicolás Maduro acusou neste domingo, 25, o embaixador da Espanha na Venezuela, Jesús Silva, de ser cúmplice no que chamou de fuga do opositor Leopoldo López. O líder da oposição deixou a capital venezuelana no sábado após passar 18 meses como hóspede na residência do embaixador espanhol em Caracas. 

"É claramente verificável que o chefe da missão diplomática espanhola na Venezuela atuou como o principal organizador e cúmplice confesso da anunciada fuga do território venezuelano do criminoso Leopoldo López”, indicou um comunicado divulgado pela chancelaria venezuelana. 

López chegou a Madri neste domingo depois de deixar seu país clandestinamente

Após a saída do líder opositor, de 49 anos, Caracas denunciou "a flagrante violação das disposições fundamentais da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas" por parte da Espanha. Segundo o governo Maduro, essa violação foi expressa por meio de "incessantes ações de ingerência em sua relação com o Estado venezuelano e suas instituições".

Mais cedo, a chancelaria espanhola condenou as detenções de funcionários da Embaixada da Espanha em Caracas e as buscas realizadas nas casas de trabalhadores da representação após a saída de López. O Ministério das Relações Exteriores espanhol também acusou o governo Maduro de violar a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

O texto da chancelaria venezuelana diz que Silva foi expulso do país em 25 de janeiro de 2018 por "reiteradas intromissões em assuntos internos". Mas um acordo com as autoridades espanholas permitiu sua volta para Caracas em abril do mesmo ano, após ele se comprometer a respeitar as leis venezuelanas e internacionais, como afirma o comunicado. 

“Muito pelo contrário, a prática diplomática tendenciosa do representante espanhol tornou-se ainda mais notável, a ponto de abrigar sob uma figura inexistente e ilícita, na própria residência da Espanha, um foragido condenado pela justiça venezuelana, responsável, entre outros crimes, pela morte e ferimento de centenas de venezuelanos em 2014", afirma o texto. 

O ativismo político de López vem sendo uma dor de cabeça para o chavismo desde 2014, quando ele apoiou manifestações de rua contra o regime. Diferentemente de outros líderes moderados da oposição, como Henrique Capriles, que aceitam buscar o poder por meio de eleições, López é considerado mais radical e sempre defendeu os protestos populares para redemocratizar a Venezuela. 

Entre fevereiro e maio de 2014, os protestos incentivados por ele foram reprimidos com violência pelo regime. As manifestações deixaram 43 mortos, mais de 5 mil feridos e 3,6 mil presos. López foi para a cadeia, condenado a quase 14 anos por conspiração e incentivo à violência. Ele passaria a maior parte do tempo em Ramo Verde, uma prisão militar nos arredores de Caracas.

Em 2017 chegou a ter prisão domiciliar concedida, mas logo voltaria a ser perseguido de novo. Em abril de 2019, após participar de uma quartelada fracassada contra Maduro, ele se refugiou na embaixada do Chile, depois na espanhola – onde estava desde então./AFP e EFE 

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