Venezuela adverte ONU sobre risco de sofrer ataque

O embaixador venezuelano na Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu o órgão nesta segunda-feira que a situação gerada pela atual crise entre a Venezuela e a Colômbia é "perigosa" e que as probabilidades de uma agressão militar estrangeira contra Caracas são as mais altas nos "últimos cem anos". Jorge Valero, delegado permanente da Venezuela nas Nações Unidas, se reuniu por meia hora com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a quem entregou uma carta na qual explica as razões de seu país para romper as relações diplomáticas com a Colômbia.

AE-AP, Agência Estado

26 de julho de 2010 | 21h05

Segundo o diplomata, Bogotá "se nega a buscar qualquer mecanismo de diálogo" e o governo do presidente Álvaro Uribe prepara uma "política de guerra" na região junto aos Estados Unidos. Em uma entrevista à imprensa concedida depois do encontro com o máximo representante da ONU, Valero disse que pediu a Ban que compartilhe a carta com os membros do organismo.

O governo dos Estados Unidos, por sua vez, assegurou que não planeja nenhuma ação militar contra a Venezuela, após as ameaças do presidente Hugo Chávez de cortar o fornecimento de petróleo aos EUA caso Washington e Bogotá ataquem seu país. O governo da Venezuela "não deveria estar em nenhum tipo de alerta relacionado aos Estados Unidos. Não temos nenhuma intenção de realizar ações militares contra a Venezuela", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, em sua entrevista diária a jornalistas.

Ontem, Chávez cancelou a viagem que faria a Cuba para participar das comemorações do Dia da Rebeldia Nacional por causa da situação tensa vivida com a Colômbia. O presidente já ameaçou cortar o fornecimento de petróleo aos EUA várias vezes, mas nunca cumpriu suas advertências.

Na semana passada, Chávez cortou as relações diplomáticas com a Colômbia, depois que o embaixador colombiano na OEA denunciou ao organismo a suposta existência de 87 acampamentos de rebeldes colombianos em território venezuelano onde estariam abrigados cerca de 1.500 guerrilheiros das Farc. Caracas rechaçou a acusação.

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