MIGUEL GUTIERREZ/EFE
MIGUEL GUTIERREZ/EFE

Venezuela amplia cerco à oposição e escritórios de partido são invadidos

Sedes do Copei em Caracas e outras 11 cidades são vasculhadas por agentes do serviço de inteligência em busca de ‘material subversivo’

O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 22h37


CARACAS - A oposição venezuelana denunciou nesta segunda-feira, 23, uma ampliação da ofensiva do governo contra políticos e agremiações antichavistas. O partido Copei teve escritórios invadidos por agentes armados em 12 cidades, incluindo a capital, Caracas. Parlamentares chavistas pediram abertura de investigação contra o deputado opositor Julio Borges, por “ações desestabilizadoras”. Ele pode perder o mandato e ser preso na terça-feira, 24. 

O agravamento das ações contra a oposição fez com que o Copei e outras lideranças menores da aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD) aderissem ao manifesto “Acordo para a Transição”, elaborado pelo prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, a ex-deputada María Corina Machado e o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López. O documento, que defende a renúncia do presidente Nicolás Maduro e a formação de um governo de transição, é tido pelo chavismo como “prova de uma conspiração”.

“Com rebeldia cívica, o Copei subscreve o Acordo para a Transição”, disse o presidente do partido, Roberto Enríquez, após reunião com María Corina e a mulher de López, Lilian Tintori. “O que estão fazendo com Ledezma não é um ato isolado, é mais uma palhaçada de quem está embriagado pelo poder.”

Da prisão, onde está desde a quinta-feira, Ledezma enviou uma carta na qual pede a todos os componentes da MUD assinem o documento que pede a renúncia de Maduro. “Peço aos companheiros e companheiras da MUD que não deixem que o regime nos divida”, escreveu. “Se querem de verdade me prestar solidariedade, consolidem uma MUD onde todas as lideranças sejam reconhecidas.”

Invasão. De acordo com dirigentes do Copei, o roteiro das invasões foi similar em todos os casos: os edifícios foram tomados de madrugada por pessoas que diziam precisar de moradia. Pela manhã, agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB)e do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) entraram nos prédios e, depois de buscas - feitas sem mandado, de acordo com o Copei - apresentaram “material subversivo”. 

“Cerca de 30 pessoas invadiram nossa sede em Caracas, forçaram a grade, arrombaram o cadeado e tomaram o edifício”, disse o vice-presidente do Copei, Mario Acosta, ao jornal El Nacional. “Os dois funcionários do Sebin, depois que saíram do prédio, disseram que havia material subversivo, de propaganda, e o edifício poderia ser usado para uma conspiração.”

Cassação. Em outra ação do governo contra a oposição, o deputado Pedro Carreño, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), anunciou que pediu ao Ministério Público a abertura de um processo contra seu colega Julio Borges, do Primero Justicia, por “ações desestabilizadoras” contra Maduro. A medida é o primeiro passo para a perda do mandato de Borges. 

Na oposição, o tom é pessimista. “Com base nas informações que temos, é possível que ele seja preso amanhã (terça-feira) e perca seu mandato na Assembleia”, disse o porta-voz da MUD, Henry Ramos Allup, em entrevista coletiva. “Julio está ciente de que pode ir para a cadeia.” Borges, ao lado de Ledezma e María Corina, foi acusado pelo chavismo de tramar um golpe contra Maduro na semana retrasada. 

Diplomacia. Ainda nesta segunda-feira, o governo do Uruguai anunciou que acelerou as negociações para que uma comissão de ministros de Relações Exteriores da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) visite a Venezuela nos próximos dias para intermediar a crise. 

“O governo uruguaio está negociando para que a comissão formada por Brasil, Colômbia e Equador vá a Caracas”, diz o comunicado. / EFE e AFP

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