Venezuela anuncia acordo de cooperação militar com o Irã

O governo da Venezuela anunciou nesta segunda-feira ter firmado um acordo de cooperação técnica com o Irã para a construção de aviões não-tripulados e a recuperação de caças F-5 - para os quais os EUA se negam a oferecer manutenção. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa venezuelano, general Raúl Isaías Baduel. Os aviões não-tripulados, conhecidos como "drones", são utilizados com sucesso pelas Forças Armadas e agências de inteligência dos EUA no Iraque e no Afeganistão em missões de espionagem e apoio a ofensivas por terra."No acordo com o Irã, manejamos a idéia desse tipo de equipamento", declarou Baduel. "Temos um avanço nos trabalhos de nossa aviação militar em relação ao projeto de um avião não-tripulado."O ministro acrescentou que a recusa dos EUA em fornecer peças de manutenção para os F-5 da frota da Força Aérea venezuelana obrigou o governo a "buscar em países amigos uma plataforma de suporte para que os sistemas de arma e as aeronaves se mantenham em nível de eficiência operativa".Há um ano, os EUA negaram à Espanha licença para a venda de aviões militares que utilizam componentes americanos. A alegação foi que o governo de Hugo Chávez "contribui para a instabilidade regional" e a venda dos aviões "complicaria a situação regional". No fim do ano passado, a Venezuela comprou 24 caças Sukhoi-30 da Rússia, além de 53 helicópteros de artilharia MI-24 e 100 mil fuzis Kalashnikov.Lei HabilitanteBaduel também afirmou que a Lei Habilitante - pela qual a Assembléia Nacional dará a Chávez poderes plenos para governar por decreto - reforçará as Forças Armadas venezuelanas e regulamentará a "participação ativa dos militares na missão de ajudar no desenvolvimento nacional". Vários planos de governo de Chávez são organizados em missões de características militares, como as de alfabetização e acesso a serviços de saúde de parte da população.De acordo com o jornal El Universal, de Caracas, a Lei Habilitante será aprovada na quarta-feira numa sessão especial da Assembléia Nacional (Congresso) que será realizada do lado de fora da sede do Legislativo. "A sessão será realizada na rua para que o povo participe ativamente desta importante decisão", disse a presidente da Casa - totalmente dominada por chavistas -, Cilia Flores.Também nesta segunda-feira, o presidente mexicano, Felipe Calderón, respondeu indiretamente às acusações feitas por Chávez - que o qualificou de "seguidor de seu antecessor, o cãozinho do império Vicente Fox". "É indispensável que os governantes latino-americanos possam expressar-se de forma madura e sem desqualificações pessoais", disse Calderón, sem mencionar Chávez.

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