Venezuela anuncia complicações em 4ª cirurgia de Chávez contra câncer

O ministro da Comunicação da Venezuela, Ernesto Villegas, revelou ontem em cadeia nacional de radio e televisão que o presidente Hugo Chávez sofreu um sangramento inesperado que exigiu "medidas corretivas" da equipe médica que o operou na terça-feira em Cuba. O anúncio foi feito no último dia da campanha para as eleições regionais de domingo, que mostrarão o efeito da doença do líder bolivariano sobre o chavismo.

RODRIGO CAVALHEIRO , ENVIADO ESPECIAL , LOS TEQUES, MIRANDA, VENEZUELA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h08

A votação deve ainda apontar o postulante da oposição em uma nova provável disputa pela presidência, caso Chávez não tome posse dia 10 de janeiro.

O pronunciamento de Villegas não foi acompanhado de detalhes sobre quais seriam as complicações, nem se Chávez chegou a se comunicar desde a operação. O ministro apenas completou que o presidente "se recupera progressivamente".

Mais tarde, o vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro, nomeado por Chávez como sucessor no sábado, antes do embarque para Cuba, disse que o estado de saúde do presidente tinha evoluído de "estável" para "favorável". Bastante emocionado e perto do choro, Maduro rezou um Pai-Nosso com partidários chavistas em um comício no Estado de Aragua. "Livrai Chávez e a pátria venezuelana de todo mal", rogou o vice.

Na véspera, Maduro havia adotado um tom sóbrio ao alertar a população de que a cirurgia havia sido complexa e levaria a um pós-operatório também difícil.

O próprio Villegas levantou a hipótese, na quarta-feira de o presidente não estar em condições físicas de assumir o mandato conquistado nas eleições presidenciais de outubro.

A ausência de Chávez levaria o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, a convocar em 30 dias novas eleições para a presidência. Caso Chávez assuma e deixe o poder, por morte ou incapacidade física, caberia a Maduro convocar as eleições, nas quais seria o candidato do governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV).

O novo boletim sobre o quadro de Chávez não foi divulgado oficialmente aos militantes chavistas que ocupavam cinco quadras de uma rua central de Los Teques, onde ontem terminou a campanha eleitoral do ex-vice-presidente Elias Jaua, candidato do PSUV ao governo do Estado de Miranda (mais informações nesta página).

Informada do sangramento, a professora chavista Aracelis Ramírez, de 48 anos, minimizou a notícia. "Isso é normal. Este homem vai voltar à batalha. Este homem é um enviado de Deus com uma missão. E a hora ainda não chegou, tenho certeza", disse de modo assertivo, com a cara fechada.

Ontem, outros presidentes latino-americanos, como o uruguaio José Mujica e o peruano Ollanta Humala, se disseram dispostos a visitar Chávez em Havana, caso sua equipe médica permita.De acordo com Mujica, Chávez ajudou muito o Uruguai. "Tenho a obrigação de não esquecer", afirmou o uruguaio. Humala disse estar orando pela saúde do colega venezuelano.

Forças Armadas. Cabello disse ontem que as Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) "garantirá" o processo de construção do socialismo. "Esta revolução não tem marcha à ré. Vamos seguir avançando", disse Cabello em uma missa em Forte Tiuna, em Caracas. Cotado para substituir Chávez, o chefe do Legislativo acabou preterido por Maduro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.