AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Após sanções dos EUA, forças armadas da Venezuela realizam exercícios militares

Maduro disse que decisão de Washington ‘viola a legalidade internacional’; Bolívia e Cuba condenaram a ação americana

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2017 | 12h47
Atualizado 26 Agosto 2017 | 19h28

CARACAS - Forças armadas da Venezuela realizam exercícios em todo o país neste sábado, 26, convocando civis a se juntarem às unidades da reserva para se defenderem contra um possível ataque depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre uma "opção militar" para o país.

O republicano fez a ameaça há duas semanas. Na sexta-feira, assinou uma ordem proibindo negócios envolvendo novas dívidas do governo venezuelano ou de sua petrolífera estatal, a PDVSA. A sanção foi decidida para atingir o financiamento do que Trump chamou de “ditadura” do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"Contra as ameaças beligerantes dos EUA, todos os venezuelanos com idades entre 18 e 60 anos devem contribuir para a defesa integral da nação", afirma um anúncio transmitido pela televisão estatal. O governo chavista disse que espera que 700 mil membros de milícias civis e 200 mil soldados, marinheiros e integrantes da força aérea participem dos treinamentos.

Segundo Maduro, o "Exercício Soberania Bolivariana 2017" ocorrerá em todo o país até domingo. O treinamento foi convocado pelo presidente há duas semanas, após a advertência de Washington. "O povo e FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) assumem a defesa do território e da soberania", disse o líder chavista em sua conta no Twitter.

A primeira jornada incluiu práticas de franco-atiradores do Exército, da Marinha, da Guarda Nacional e das Milícias. No domingo, serão realizadas manobras de combate, disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino. Rodeado de soldados em uma zona montanhosa de Macarao, ele declarou que a ação será de "grande proveito para a defesa do país" em face da "agressão do império". 

Imagens da TV estatal mostraram jovens venezuelanos e pessoas mais velhas entrando em centros de registro de reservistas. Mas não há evidência de cadastramento para além dos mais fervorosos apoiadores do partido socialista de Maduro.

A ameaça de ação militar feita por Trump está sendo usada pelo líder chavista para apoiar seu discurso de que o "império" americano trava uma guerra econômica contra a Venezuela e quer invadir o país para roubar suas reservas de petróleo.

A ideia vinha sendo considerada como absurdo pela oposição e por autoridades dos EUA até o dia 11 de agosto, quando Trump disse que "uma opção militar é certamente algo que podemos buscar" como forma de encerrar a crise na Venezuela.

A embaixada de Washington em Caracas advertiu os cidadãos americanos que vivem na Venezuela para que tomem medidas de segurança ante os exercícios militares, porque haverá civis no treinamento com armas, além de áreas com forte presença militar.

Reações

Maduro repudiou as sanções aprovadas por Trump e disse que essas "medidas ilegais" contra o povo da Venezuela "simplesmente violam a legalidade internacional, a carta das Nações Unidas e ratificam um caminho imperial de agressão" contra o país.

Em um discurso transmitido em horário obrigatório de rádio e televisão, o presidente assegurou que "se pretende impor à Venezuela um bloqueio em mecanismos de perseguição econômica e financeira para afogar econômica e financeiramente" o país, "alvo do ódio, desprezo e racismo da elite que governa os EUA".

"Trump hoje deu um golpe financeiro e econômico contra o esforço de recuperação da economia venezuelana que todos nós, venezuelanos, fazemos todos os dias com o nosso trabalho e o nosso amor. A única resposta que o nosso povo deve ter é mais trabalho."

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou neste sábado os EUA de promoverem um "golpe econômico" contra a Venezuela. "Como seu plano de intervenção falhou, os EUA executaram um golpe financeiro contra a Venezuela. Almagro, Fox e os demais golpistas cúmplices se calaram", escreveu ele em sua conta no Twitter.

Cuba também condenou energicamente as sanções impostas à Venezuela e pediu que a América Latina defenda os princípios da Zona de Paz acordados em 2014. Havana reprova "as ações injustas, unilaterais, arbitrárias, ilegais e violadoras do Direito Internacional que continuam sendo aplicadas contra o governo constitucional liderado pelo presidente Nicolás Maduro Moro e agora se intensificam com essas novas medidas", disse o vice-chanceler Abelardo Moreno, em declaração publicada neste sábado no jornal Juventud Rebelde. / REUTERS, EFE e AFP

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