Venezuela aumentará salário mínimo para compensar inflação alta

Maduro anunciou aumento de 15% a partir de dezembro; inflação no país passa dos 60%

O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2014 | 10h28

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na segunda-feira um aumento de 15% no salário mínimo a partir de dezembro para proteger os trabalhadores da inflação de mais de 60%.

Maduro diz que o aumento dos preços ao consumidor é consequência de uma "guerra econômica" lançada por inimigos de seu governo socialista, frequentemente acusando empresários de manipularem os preços e de especulação.

Críticos, porém, afirmam que o problema da inflação endêmica na Venezuela é uma prova do fracasso dos 15 anos de economia socialista sob os governos de Maduro e de seu antecessor, Hugo Chávez, morto em 2013.

O problema da Venezuela com a inflação é antigo, também superando a casa dos 6% na década de 1990, antes da chegada de Chávez ao poder, de acordo com dados do FMI.

"Decidi aceitar essa proposta, da parte dos trabalhadores, e decretar um aumento de 15% no salário mínimo a partir de 1.º de dezembro", disse Maduro durante evento com trabalhadores, transmitido pela televisão.

O presidente disse que o aumento acumulado para 2014 - após uma alta de 30% em maio e de 10% em janeiro - deve compensar a inflação, segundo ele causada pela campanha "criminosa" contra o governo.

O reajuste previsto para dezembro colocará o salário mínimo da Venezuela em 4.889 bolívares. O valor é equivalente a US$ 776 na taxa oficial de câmbio de 6,3 bolívares por dólar, mas representa apenas US$ 49 a uma taxa de câmbio do mercado negro oferecida em sites ilegais.

De acordo com os últimos dados disponíveis, a taxa de inflação anualizada da Venezuela atingiu 63,4% em agosto, com os preços ao consumidor subindo 3,9% naquele mês, segundo o Banco Central. /REUTERS

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