Venezuela bloqueia imagens no Twitter, diz microblog

Restrição atingiria tanto usuários de provedor estatal quanto de empresas privadas desde quinta-feira

CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h02

Muito usado por manifestantes durante protestos para relatar os acontecimentos e postar fotos em tempo real, o Twitter afirmou na noite de ontem que as imagens publicadas por usuários na Venezuela estavam bloqueadas, provavelmente em decorrência de alguma ação do governo de Nicolás Maduro.

"Posso confirmar que as imagens do Twitter estão bloqueadas na Venezuela. Nós acreditamos que foi o governo que as bloqueou", afirmou à agência EFE o porta-voz da empresa, Nu Wexler. O governo venezuelano não comentou a acusação.

Usuários do microblog denunciaram a situação durante as marchas contra o governo organizadas na quinta-feira. O problema afetou inicialmente usuário do provedor estatal CANTV, mas se espalhou para internautas de outros provedores. Ontem, o Departamento de Estado dos EUA pediu que a Venezuela respeite a liberdade de expressão.

Legítimo. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, qualificou na noite da quinta-feira as manifestações contra sua administração como "um plano para derrubar um governo democraticamente eleito, que tem a legitimidade do apoio popular e a legitimidade histórica de ter emanado de uma revolução vitoriosa". Ontem, outro protesto estudantil ocorreu em Caracas, reunindo aproximadamente mil manifestantes.

Enquanto muitos dos 69 estudantes presos na quarta-feira continuavam detidos em razão dos protestos, que deixaram 3 mortos e mais de 60 feridos, líderes universitários concentravam ativistas nas ruas de Caracas e de outras cidades da Venezuela - sobre os restos das barricadas das maiores manifestações já organizadas contra o governo de Maduro.

Contraprotesto. "Para o sábado (hoje), por volta do meio-dia, está sendo convocada uma grande marcha de todas as forças sociais e políticas da revolução bolivariana pela paz e contra o fascismo. Assim, me somo à convocatória: no sábado, todo o povo a Caracas. Vamos fazer a marcha contra o fascismo, contra a violência, contra o golpismo", declarou o presidente.

Maduro qualificou como uma "decisão de Estado" ter proibido na Venezuela a exibição da programação da emissora colombiana NTN24 - que cobria amplamente os protestos. As TVs venezuelanas se abstiveram de cobrir as manifestações, temendo sanções. / EFE e AFP

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