MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA / EFE
MAURICIO DUEÑAS CASTAÑEDA / EFE

Venezuela busca mediação da Unasul como fim para crise

Marcada pela intransigência no governo e na oposição, crise pode ser resolvida por comissão da Unasul chefiada por ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero

Abraham F. Lowenthal FOREIGN POLICY

19 Agosto 2016 | 05h00

A Venezuela está em condições críticas, golpeada simultaneamente pelo desastre econômico, crescente inquietação social, saques, violência e criminalidade em alta. A oposição política há muito reconheceu a gravidade dos problemas. Agora, após muito tempo, o próprio governo chavista parece estar reconhecendo isso também.

Governo e oposição estão num impasse. Cada lado tem importantes bases de apoio social e eleitoral, mas nenhum consegue se impor e remover o oponente. O governo é comprovadamente incapaz de resolver as evidentes e crescentes dificuldades do país. Altos funcionários temem claramente perder o controle da situação, o que os leva anegar espaço à oposição - um posicionamento sensato, dados os últimos 18 anos da história do país.

Embora eleito livremente em 1998, Hugo Chávez e seus aliados viram negada sua legitimidade e foram insistentemente atacados pelo establishment, agora na oposição. Ao longo dos anos, opositores tentaram um golpe, promoveram uma greve na petrolífera estatal, fizeram boicotes e convocaram manifestações para derrubar o governo.

Os líderes da oposição não confiam no governo, que por seu lado tem se utilizado de pressões econômicas, prisões, expropriação de propriedade e listas negras eleitorais para manter o controle do poder. Alguns opositores, talvez muitos, rejeitam a simples ideia de dialogar com o governo, considerando que por trás disso estaria um truque do regime para ganhar tempo e adiar o referendo. 

Os líderes oposicionistas também geralmente gostam de exigir, mas não de fazer concessões. Disputas e ambições individuais entre eles os impedem de montar uma estratégia coerente e concordar sobre táticas. A frente opositora, MUD, tem sido menos um movimento unificado que uma série de partidos e personalidades numa busca ambivalente de potencial unificação. Eles se juntam em tempo de eleições para depois se separarem novamente.

Até agora, a característica básica, tanto do governo quanto da oposição, tem sido a intransigência. Mesmo assim, está em andamento uma iniciativa para encontrar o caminho do diálogo político, da eventual negociação e de possíveis acertos para dividir o poder. 

Uma iniciativa internacional, sob os auspícios da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) está costurando um incipiente diálogo entre o governo da Venezuela e a oposição. O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero assumiu a liderança, acompanhado pelo ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández e pelo ex-presidente panamenho Martín Torrijos. A União Europeia endossou Zapatero como mediador.

Um fator importante na promoção desse diálogo incipiente é o interesse de várias poderes - incluindo Brasil, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, China e União Europeia - numa Venezuela estável, que produza e exporte petróleo em grande quantidade, importe produtos, pague seus débitos, pare de tentar desestabilizar os vizinhos e enfrente efetivamente a crise humana que atravessa. 

Outro fator importante é o isolamento regional cada vez maior da Venezuela em consequência de recentes mudanças políticas na Argentina, Paraguai, Peru e Brasil. A Venezuela está confrontando todos esses desafios.. Desafios anteriores no caminho da transição democrática eram ainda mais difíceis, mas abordagens criativas foram encontradas por aqueles verdadeiramente comprometidos em vencê-los. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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