AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Venezuela combate site que divulga valor do dólar paralelo

Autoridades do país vão à Justiça americana para tentar derrubar página ‘DolarToday’, mantida por exilados nos EUA

Jim Wyss , MIAMI HERALD

09 de março de 2016 | 05h00

MIAMI - O Banco Central da Venezuela (BCV) voltou a atacar o site popular que é acusado pelo governo de Caracas acusa nos tribunais americanos de sabotar a economia e minar a política. Na última sexta-feira, o BCV moveu uma nova ação contra a página DolarToday, registrada na cidade americana de Delaware e administrada por três exilados venezuelanos. O endereço publica diariamente a taxa de câmbio do bolívar em relação ao dólar no mercado paralelo.

Na ação, as autoridades venezuelanas tentam obter uma indenização monetária indefinida por danos e uma interdição permanente do DolarToday, que acusam de ser uma “conspiração visando a manipular o valor da moeda da Venezuela com a divulgação de informações falsas e equivocadas a seu respeito”.

No dia 26 de fevereiro, o Tribunal de Primeira Instância de Delaware rejeitou a queixa inicial afirmando que não a mesma não fornecia detalhes suficientes sobre o suposto dano que estaria sendo perpetrado pelo site. Mas também deixou aos queixosos a possibilidade de uma nova tentativa.

Em entrevista ao Miami Herald, os administradores da página declararam que não estabelecem o valor do bolívar, mas simplesmente informam o que acontece nas casas de câmbio de Cúcuta, cidade colombiana na fronteira com a Venezuela.  O governo venezuelano adota rigorosos controles monetários e a demanda por dólares faz com que muitas pessoas recorram ao mercado paralelo para trocar dinheiro.

Em sua queixa, o BCV afirma que o DolarToday se tornou uma “fonte fidedigna” de informações sobre a moeda e acusa seus proprietários de manipularem o mercado enquanto enriquecem graças à arbitragem.

Além disso, a queixa diz que o esquema de divulgação dos preços reduziu os ganhos que o BCV obtém com a impressão do bolívar, causando danos à sua reputação e criando “entre o público falsa impressão de que a política monetária do Banco Central é ineficiente e a instituição não sabe administrar a economia venezuelana”.

Na ação, as autoridades dizem que o site está usando táticas equivalentes a “terrorismo cibernético” com o objetivo de prejudicar a economia. A Venezuela, que sofre com um colapso econômico que mistura hiperinflação, desabastecimento e ausência de investimentos, está imobilizada numa das crises econômicas mais agudas da história recente. A situação se agrava com a queda internacional nos preços do petróleo - praticamente o único produto que o país consegue produzir em grande escala e exportar.

O Fundo Monetário Internacional prevê que, este ano, a inflação poderá chegar a 720%, e a escassez, inclusive de produtos de primeira necessidade, agrava as tensões no país. A moeda, que há poucos anos era negociada na base de 80 bolívares por dólar, atualmente é negociada a quase 900 no paralelo.

O governo atribui frequentemente a crise a uma “guerra econômica” movida por seus inimigos e pela comunidade internacional. A doença que afeta a economia é uma das principais razões pelas quais a oposição, encorajada pela conquista da maioria no Parlamento, busca maneiras para derrubar o presidente Nicolas Maduro antes das eleições de 2019.

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