Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Venezuela começa a vender gasolina de acordo com a placa dos carros por conta da escassez

Medida já foi aplicada pelo governo Maduro no passado e coincide com a chegada de dois navios iranianos que transportam combustível

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 04h00

CARACAS - A Venezuela lança na próxima segunda-feira, 5, um plano para distribuir gasolina de acordo com a matrícula de cada veículo. A medida é uma resposta à severa escassez de combustível no país caribenho. O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo, Tareck El Aissami, na quinta-feira, 1. 

O governo de Nicolás Maduro, em meio ao colapso da produção da estatal PDVSA, já aplicou no passado um mecanismo de venda de gasolina por placa do carro; a medida, no entanto, não surtiu efeito e não foi capaz de liquidar as longas filas que se formam nos postos venezuelanos.

“O dia de abastecimento será definido de acordo com a última matrícula de cada veículo, método já conhecido por todos os venezuelanos, com o objetivo de ordenar o fluxo nos postos”, disse El Aissami em nota transmitida pelatelevisão estatal.

O plano visa, disse o funcionário, a "normalização do esquema de distribuição e comercialização de combustíveis" em meio às sanções dos EUA contra a Venezuela e a PDVSA em uma forma de pressão para tentar tirar Maduro do poder.

O novo esquema coincide com a chegada de dois navios iranianos carregados com gasolina. O governo socialista não deu detalhes sobre as negociações, embora Maduro tenha dito na quarta-feira que "combustível" estava chegando do exterior no mês de outubro "e que as importações estão sendo administradas" para "os meses seguintes".

Maduro também afirmou que a Venezuela conseguiu reativar duas de suas principais refinarias, o que, segundo El Aissami, permitirá cobrir o "consumo interno".

Em junho passado, o governo chavista lançou tarifas dolarizadas para a gasolina após a chegada de cinco navios iranianos com 1,5 milhão de barris de combustível.

O litro da gasolina de alta octanagem subiu para 50 centavos, enquanto um alto subsídio foi mantido com uma taxa em bolívares equivalente a pouco mais de um centavo, mas válida apenas com limites de consumo e registro prévio. Em princípio, a escassez diminuiu, mas novamente estava ganhando terreno.

A Venezuela, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, viu sua produção de petróleo cair de 3,2 milhões de barris por dia há doze anos para menos de 400 mil hoje, de acordo com a Opep.

O sistema de refino da antiga petrolífera, com capacidade instalada para processar 1,3 milhão de barris por dia de petróleo bruto e combustíveis, mal funcionou a 12% do seu potencial no primeiro trimestre de 2020, segundo dados da Agência France Press/AFP

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