Venezuela confirma primeiro aumento da gasolina em 17 anos

Preço será definido por meio de consulta popular e será revertido para gastos sociais; país vive crise econômica grave

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 11h06

 CARACAS - O governo da Venezuela confirmou na noite de terça-feira, 6, que reajustará o preço da gasolina, congelado há 17 anos no país. Segundo o ministro do Petróleo, presidente da PDVSA e vice-presidente para área econômica, Rafael Ramírez, o valor do reajuste será definido por meio de uma consulta popular. Haverá também uma campanha pelo uso racional do combustível, além do aumento da fiscalização para combater o contrabando. 

O subsídio à gasolina na Venezuela provoca um prejuízo anual de US$ 15 bi aos cofres da PDVSA, a estatal petrolífera do país, em razão da diferença entre o preço de venda do combustível, que varia entre 0,07 e 0,10 bolívares, e o de produção, estimado entre 2,4 e 2,7 bolívares. 

Principal responsável pela receita do governo venezuelano, a PDVSA tem vivido um processo de estagnação nos últimos anos, com a  parte da produção comprometida com acordos bilaterais com países caribenhos e a China, além do subsídio ao consumo local. Com a escassez de moeda forte que afeta a Venezuela desde o ano passado, o governo tem tido também problemas de inflação e escassez de alimentos. 

"Somos o país com o consumo de gasolina per capita mais alto do mundo e temos o preço mais barato do planeta", disse Ramírez, que lembrou que o consumo do combustível no país subiu de 400 mil barris por dia em 2002 para 730 mil por dia em 2014. Além disso, estima-se que 100 mil barris são contrabandeados diariamente para países vizinhos, principalmente a Colômbia. 

"A ideia é obter um preço razoável que ajude a diminuir esse contrabando", acrescentou o ministro. "Não precisamos aumentar a receita fiscal porque já estamos captando o dinheiro que antes era levado pelas multinacionais. Estamos em equilíbrio."

Segundo o ministro chavista, os novos recursos serão aplicados nas áreas de alimentação, saúde e habitação. / EFE

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