Venezuela construirá duas instalações militares na Bolívia

A Venezuela construirá duas instalações militares na Bolívia e comprará bônus desse país no valor de US$ 100 milhões com o objetivo de cobrir o déficit orçamentário boliviano, informou na quinta-feira uma fonte parlamentar de La Paz.Os acordos foram aprovados na noite de quarta-feira pela Câmara dos Deputados da Bolívia.Segundo o presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados da Bolívia, Michiaki Nagatani, as Forças Armadas venezuelanas construirão um porto em Quijarro, sobre o rio Paraguai, na fronteira com o Brasil, e um forte militar no povoado de Riberalta, no departamento de Beni.Segundo cálculos preliminares, o porto custará US$ 25 milhões e o forte outros US$ 22 milhões. Ainda não se sabe se será uma doação ou um empréstimo venezuelano.O governo do presidente Evo Morales negou que a ajuda militar venezuelana represente "uma ingerência ou intromissão" na segurança interna da Bolívia, como denunciou a oposição."Nós acreditamos que o Estado deve preservar (os aspectos militares) para sua própria soberania", disse o deputado. Segundo Nagatani, a Venezuela também prestará ajuda em legislação militar, prevenção de conflitos, controle de armamento e desarmamento, gestão orçamentária, apoio à paz, buscas, resgates, operações humanitárias e controle de substâncias químicas.O convênio prevê ainda que a Venezuela auxilie na melhora do material bélico das Forças Armadas e na formação de um batalhão de engenheiros para a construção de estradas.BonusOutro acordo aprovado pelos deputados prevê a compra de bônus do Estado boliviano no valor US$ 100 milhões pelo governo de Caracas. O objetivo da operação é ajudar o país a cobrir seu déficit fiscal.Os outros dois convênios aprovados estabelecem intercâmbio tecnológico no setor de telecomunicações, com a instalação de rádios e um canal de televisão comunitários em zonas rurais bolivianas.Segundo Nagatani, o Governo assegurou que os meios de comunicação terão uma função "cultural" e serão utilizados para a "capacitação, alfabetização e apoio comunitário".A oposição pediu que os acordos não sejam usados como instrumento político ou de propaganda governista. Os convênios, que haviam sido assinados por Morales e Hugo Chávez, foram remetidos pelos deputados ao Senado, onde deve ser votado nos próximos dias.

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