EFE/Cristian Hernández
EFE/Cristian Hernández

Venezuela corta sinal de emissora de TV colombiana Caracol

Emissora acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de ter ordenado o fim da transmissão de seu sinal no país a órgão regulador; imprensa venezuelana diz que outra emissora colombiana, a RCN, também deve ter o sinal suspenso em breve

O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 09h17
Atualizado 24 Agosto 2017 | 12h57

BOGOTÁ - O sinal da emissora colombiana "Caracol Televisión" foi cortado na Venezuela na noite de quarta-feira por ordem do governo do presidente Nicolás Maduro, informou o próprio meio de comunicação.

"A Caracol Televisión sai do ar na Venezuela por decisão de Nicolás Maduro", informou a emissora através do Twitter. Posteriormente, em um comunicado, a Caracol lamentou a decisão do governo venezuelano.

"A Caracol sempre desempenhou seu trabalho jornalístico de maneira objetiva e verídica, e seguindo princípios considerados fundamentais: oferecer jornalismo com contexto e ouvir todos os pontos de vista", diz a nota da emissora.

Em entrevista nesta quinta-feira à BLU Radio, Juan Roberto Vargas, diretor de notícias da Caracol, lamentou a decisão tomada por Caracas. "Eles nos tiraram das duas operadoras a cabo", disse Vargas.

Maduro havia denunciado há alguns dias uma "campanha terrível contra seu governo" e acusou diretamente meios de comunicação colombianos como a Caracol e os jornais El Tiempo e El Espectador de fazerem parte deste plano.

A Caracol disse que a ordem de retirada do ar foi feita pela autoridade de telecomunicações venezuelana, a Conatel, que, em fevereiro passado, também determinou a saída da CNN em espanhol e dois meses depois a do canal colombiano El Tiempo e do argentino Todo Noticias. Em 2014, o canal colombiano de notícias NTN24 também foi tirado do ar pelo organismo.

Meios de comunicação venezuelanos asseguram que, nas próximas horas, o canal "RCN" da Colômbia também sairá de serviço nas operadoras de TV a cabo da Venezuela. 

 

 

Reação

Em sua conta no Twitter, o governador do Estado de Miranda e líder opositor, Henrique Capriles, criticou a decisão do governo. "Mais uma afronta de Maduro ao nossos irmãos colombianos que vivem na Venezuela", escreveu Capriles.

"(Com esta medida) diminuiu a inseguridade? Diminuiu a inflação? Há mais comida? Mais medicamentos? Se resolveu algum problema?", questionou o opositor. "Que a comunidade internacional saiba que esta é a 'liberdade' que prega @nicolasmaduro. É dito que se ocupa (o presidente), de tentar censurar as verdades."

Até o momento, nem o próprio presidente venezuelano ou outra autoridade do alto escalão do governo chavista respondeu as críticas de Capriles ou a acusação da Caracol. / EFE e AFP

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