AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Venezuela cria polícia para controlar fronteira

Segundo vice-presidente, objetivo é enfrentar ‘campanha de falsidades’ promovida pela Colômbia e pelos EUA

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 20h23

CARACAS - A Venezuela anunciou ontem a criação de uma polícia migratória para reforçar o controle na fronteira com a Colômbia, para onde milhares de pessoas migraram nos últimos anos em razão da crise econômica. 

Segundo a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, o novo órgão assumirá os 72 pontos de controle existentes nos portos, aeroportos e áreas de fronteira. “Ele reforçará os controles que já existem, como um órgão especializado para lidar com a realidade na fronteira”, afirmou, em referência aos 2.200 km do limite com a Colômbia.

Delcy disse que esta será uma corporação policial “muito especializada” que “atenderá à realidade na fronteira” e enfrentará a “campanha de falsidades promovida por Colômbia e pelos EUA”. Ela insistiu que a Venezuela é vítima de uma guerra de falsidades que tem como objetivo justificar algo que nunca acontecerá: “uma intervenção internacional”. 

A vice-presidente assegurou que, enquanto a Colômbia contabiliza 8 milhões de deslocados internamente em razão de seu conflito armado, “a Venezuela é uma campeã na recepção de imigrantes”. O governo de Nicolás Maduro diz que na Venezuela vivem cerca de 6 milhões de colombianos, mas o serviço migratório da Colômbia afirma que existem cerca de 900 mil.

A ONU assegura que 1,9 milhão de venezuelanos migraram desde 2015, na esteira do colapso econômico, mas Maduro nega que na Venezuela haja uma crise migratória. Segundo o chavismo, há uma campanha internacional para promover a ideia de que existe uma migração em massa de venezuelanos, sobretudo para outros países da região, para preparar o caminho para uma invasão internacional.

No entanto, não foi só Colômbia e Brasil, que possuem fronteira com a Venezuela, que registraram nos últimos anos – sobretudo nos últimos meses – a entrada de milhares de venezuelanos, mas também Peru, Equador, Chile, Argentina, Panamá e República Dominicana. Os imigrantes que chegam a esses países garantem que estão fugindo da crise venezuelana.

Maduro também nega que haja uma emergência humanitária em razão da escassez crônica de alimentos e de remédios. O retrato da crise, no entanto, e a hiperinflação, que o Fundo Monetário Internacional estima que deva chegar a 1.000.000% este ano. / REUTERS, AFP e EFE

 

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